Quase 100 mil idosos ainda não tomaram a segunda dose contra a Covid-19 no Rio

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Em meio ao anúncio do plano de flexibilização da cidade do Rio — que prevê a primeira etapa de reabertura para início de setembro — quase 100 mil idosos ainda não completaram o esquema vacinal na cidade. Segundo dados do painel da Prefeitura do Rio atualizados nesta sexta-feira, dia 30, 97.445 pessoas maiores de 60 anos tomaram apenas a primeira dose da vacina contra a Covid-19.

Apesar de percentualmente os idosos terem uma alta cobertura vacinal completa, mais de 10 mil pessoas com 80 anos ou mais que tomaram a primeira dose no Rio ainda não completaram o esquema vacinal. O maior passivo é no grupo de 60 a 64 anos, onde 58 mil idosos ainda estão vacinados somente com a primeira dose.

O calendário de idosos acabou há mais de três meses, em 24 de abril, com a data de 60 anos ou mais, o que já ultrapassaria o tempo da segunda dose para a vacina da CoronaVac — com prazo de 28 dias — e da AstraZeneca: 12 semanas. O imunizante da Pfizer, que no Brasil é aplicado em duas doses no intervalo de 12 semanas, não era aplicado na cidade.

A prefeitura alega que grande parte desses idosos ainda estão no prazo de completar o ciclo de imunização, porque receberam a primeira dose da vacina em dias de repescagem. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) disse reforçar e monitorar o passivo de pessoas que estão com a segunda doses atrasadas, mas não informou o quantitativo atual. Em meados de junho, o número beirava aos 80 mil. Segundo o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, há a previsão de, nas próximas três semanas, serem aplicadas 400 mil vacinas como segunda dose.

— Muito deles estão no prazo para se vacinar e irão se imunizar nas próximas três semanas semanas, quando ainda temos comorbidades e um grupo de idosos para completar o ciclo — explica Soranz.

Para a especialista em saúde pública da UFRJ Ligia Bahia, é necessário realizar campanhas de conscientização para todos irem tomar a segunda dose nos dias corretos. Ela explica que nesse quantitativo pode haver pessoas que tenham evitado voltar ao posto, influenciadas por notícias falsas sobre a segurança e efetividade das vacinas.

— Até agora, não vimos nenhuma campanha específica no Rio para que essas pessoas sejam resgatadas. Pedidos que líderes religiosos ajudem, em locais frequentados pelos idosos, como mercados e agências bancárias. Essa tem de ser uma mobilização da sociedade. A rede pública também pode ir às casas das pessoas. Elas têm nome, endereço e telefone — afirma.

O plano de flexibilização apresentado nesta quinta -feira, dia 29, pela Prefeitura do Rio prevê que até 2 de setembro 45% dos cariocas estejam com o esquema vacinal completo. Já para a terceira e última fase, quando as máscaras deixariam de ser obrigatórias, a projeção é de uma cobertura de 75% dos moradores do Rio com a segunda dose. Também há o planejamento que, a partir de outubro, o Rio aplique a terceira dose em idosos, mas o tema ainda é alvo de debates no Ministério da Saúde e Anvisa.

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