Quase 19.000 migrantes bloqueados perto da fronteira entre Colômbia e Panamá

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Migrantes haitianos e centro-americanos em Tapachula, Chiapas, México (AFP/CLAUDIO CRUZ)

Cerca de 19.000 migrantes, "em sua maioria haitianos", estão bloqueados em um porto do norte da Colômbia à espera de embarcações que os levem para a fronteira com o Panamá, informou a Defensoria Pública nesta quarta-feira (22).

"Constatamos que cerca de 19.000 migrantes estão presos", buscando atravessar para a América Central, disse Carlos Camargo, chefe da entidade que vela pelos direitos humanos na Colômbia.

A Defensoria detalhou em um comunicado que a "maioria" é haitiana.

Os migrantes, acrescentou Camargo, esperam por uma vaga em embarcações que vão do pequeno porto de Necoclí (noroeste) até Acandí, uma cidade fronteiriça com o Panamá.

Por um acordo entre os governos da Colômbia e Panamá, o trânsito de migrantes se restringe a um máximo de 650 pessoas por dia. Mais de 50.000 já cruzaram essa fronteira em 2021.

Os viajantes devem atravessar o Golfo de Urabá, um trecho marítimo de quase 60 quilômetros. Também enfrentarão a ameaça do Clã do Golfo, a maior organização armada do narcotráfico que exerce autoridade na região.

Dezenas de milhares de migrantes, especialmente haitianos, chegaram nos últimos meses à fronteira do México com os Estados Unidos. Boa parte deles fez o trajeto pela Colômbia.

O grande fluxo de haitianos que se aglomeram sob uma ponte na cidade fronteiriça de Del Río, no Texas, se tornou um problema para o governo de Joe Biden. O governo americano decidiu devolvê-los ao seu país.

De acordo com Camargo, as empresas que oferecem o transporte em lanchas ou pequenas embarcações vendem cerca de 250 passagens diárias cada uma, mas nos "últimos dias houve um aumento do número de migrantes que chegam a Necoclí e ficam presos ali, diante da impossibilidade de conseguirem" uma passagem.

- México sobe o tom pela crise migratória -

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, pediu aos Estados Unidos, nesta quarta-feira (22), que passem do discurso à ação para resolver a crise migratória que afeta os dois países.

"Chega de discurso, é preciso agir", disse o López Obrador, em sua habitual entrevista coletiva matutina, lembrando que Washington ofereceu US$ 4 bilhões para investir nos países de origem da migração em condição ilegal.

"Havia o compromisso de investir US$ 4 bilhões: US$ 2 bilhões, para a América Central, e US$ 2 bilhões, para o México. Não chegou nada, nada", reclamou.

Dezenas de milhares de migrantes, a maioria haitianos, aglomeram-se há várias semanas nas cidades mexicanas de Tapachula (fronteira sul com a Guatemala) e Ciudad Acuña (norte, no limite com o estado americano do Texas), com a intenção de buscar refúgio nos Estados Unidos.

Milhares de haitianos começaram a ser deportados esta semana pelas autoridades americanas, aumentando seu drama.

Em seguida, o presidente mexicano modulou o tom elevado, afirmando que vê um "bom clima" na Casa Branca, já que o presidente Joe Biden "está, sim, interessado" em resolver o problema, assim como sua vice-presidente, Kamala Harris, e o conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan.

"Há condições inigualáveis para assinar um bom acordo para o desenvolvimento da América Latina e do Caribe, em particular, nos países da América Central. Então, vamos esperar. Acho que haverá resultados, sim", insistiu López Obrador.

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