Quase metade das famílias brasileiras precisaram ajustar orçamento para não perder plano de saúde, mostra pesquisa

Em meio a crescimento do trabalho informal, desvalorização da renda e empobrecimento da população, cerca de 47% dos brasileiros tiveram que ajustar o orçamento familiar e cortar despesas para não abrir mão do plano de saúde. É o que aponta uma pesquisa da Associação Nacional das Administradoras de Benefícios (Anab) sobre a relação da população com os tratamentos médicos.

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A pesquisa não detalha o que as famílias tiveram que abrir mão para manter a assistência médica particular, mas mostra que, para a maioria dos brasileiros atendidos exclusivamente pelo SUS, o plano é um bem importante, mas inacessível. A proporção daqueles que desejam aderir à assistência é de 74%, mas para 76% a questão financeira é o que mais pesa na hora de contratar um plano de saúde.

Além disso, entre os que não têm plano de saúde e dependem do atendimento público, 60% nunca tiveram plano privado por questão financeira, e três em cada dez perderam o plano de saúde coletivo ao serem demitidos. Outros 68% precisaram de algum tipo de atendimento médico no último ano, mas relataram dificuldade no acesso via sistema público.

O estudo apontou ainda que para 88% a necessidade de assistência médica permaneceu a mesma ou aumentou durante a pandemia:

— Estamos há praticamente três anos em uma situação econômica e financeira muito ruim para todos em função da pandemia. O setor vinha numa decrescente de usuários, mas muito por conta do atendimento médico por conta da Covid, as pessoas acabaram buscando um plano pra ter garantido por exemplo seu leito de UTI, caso fosse necessário. Estamos nos aproximando de quase 50 milhões de usuários — destaca Alessandro Acayaba de Toledo, presidente da Anab.

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Perfil dos entrevistados

O levantamento, feito em parceria com o Instituto Bateiah, ouviu por telefone 1.012 pessoas de todo o pais durante o mês de abril. Os entrevistados tinham mais de 16 anos e eram responsáveis pelas principais decisões da casa onde vivem. Do total de ouvidos, 336 eram usuários do SUS, enquanto 310 tinham planos de saúde, e outros 366 custeiam as despesas com saúde.

Entre os entrevistados que não têm plano nem usam os serviços do SUS e pagam do próprio bolso as despesas com saúde, 33% das famílias já tiveram planos, mas precisaram abrir mão ou decidiram cortar os custos e pagar quando precisassem de serviços de saúde.

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Entre mulheres (51%) e aqueles com renda de até dois salários mínimos (R$ 2.424), o quadro é ainda mais grave, com percentuais de 51% e 62% gastando até R$ 250 por mês com saúde, respectivamente.

Planos populares de fora

A pesquisa não incluiu os chamados planos populares, que em geral cobrem apenas consultas e exames e têm mensalidades mais acessíveis, mas aponta que a receptividade de um plano de saúde com custo baixo e cobertura limitada é de 58% entre os usuários do SUS entrevistados.

— Vemos que uma parcela ainda mínima acaba contratando esses planos populares, mas a própria ANS ainda não reconhece esses planos como planos em si, porque não preenchem os requisitos de atendimento. São assistências que num primeiro momento podem dar algum tipo de salvaguarda, como orientação médica ou algum exame que pode ser feito na clinica, mas não resolvem o problema. O paciente acaba sendo encaminhado ao SUS — afirma Acayaba.

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Entre os usuários de planos de saúde, a maioria dos entrevistados teme ficar sem plano de saúde. Já para 41%, os idosos são prioridades na hora de contratar a assistência, seguidos por crianças, 32%. Entre os usuários de até 39 anos, esse percentual salta para 42%.

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