Quatro assuntos sobre os quais Bolsonaro poderia, mas não se pronunciou

As eleições acabaram e o presidente Jair Bolsonaro (PL) não conseguiu ser reeleito. Contudo, mesmo vencendo o pleito, Lula (PT) só assume em 1º de janeiro de 2023. Até lá, quem ocupa o cargo máximo do Executivo nacional é o Messias (nome do meio do inquilino do Palácio da Alvorada.

De lá para cá, o País já viveu diversas alegrias e tristezas que pouco ou nada tem a ver com a eleição. Todavia, nenhuma palavra foi oferecida pelo mandatário brasileiro nos mais diversos assuntos. Separamos aqui quatro temas que mereciam uma fala de Bolsonaro.

  • 1 - Copa do Mundo do Catar

Bolsonaro ama futebol. Fez diversas aparições em estádios, é o favorito de alguns jogadores famosos, mas ainda não disse nada sobre as últimas vitórias da seleção brasileira no maior campeonato do mundo na modalidade.

Desde o início da Copa, o Brasil já venceu três jogos e empatou um. O time está classificado para as quartas de final e têm grandes chances de trazer a sexta taça do mundial para as terras tupiniquins.

Nesse meio tempo, o atacante Neymar, que fez live com o presidente declarando voto nele, sofreu uma lesão no tornozelo e não pôde participar de dois jogos. Como amigo ou presidente da República, Bolsonaro não se manifestou sobre o assunto nem para desejar melhoras ao atacante.

Em retribuição, o camisa 10 descumpriu a promessa feita ao mandatário e não dedicou a ele o primeiro gol feito na Copa.

  • 2 - Ataque em escola no ES

Se temas mais felizes não despertam o interesse do chefe do Executivo, os tristes tampouco têm esse efeito.

No dia 25 de novembro, quase um mês após o resultado das eleições, um adolescente de 16 invadiu duas escolas no município de Aracruz, no Espírito Santo, e atirou contra professores e alunos. Quatro pessoas morreram e outras 12 ficaram feridas. O atirador foi apreendido e confessou ter planejado o crime por dois anos.

Diversas autoridades, incluindo o presidente eleito, Lula (PT), lamentaram o ocorrido pelo menos nas redes sociais. Bolsonaro se calou.

  • 3 - Deslizamentos de terra na BR-376

No dia 28 de novembro, dois deslizamentos atingiram a BR-376, na altura do município de Guaratuba, no litoral do Paraná. O primeiro evento provocou o bloqueio parcial da rodovia. Já o segundo teve grandes proporções, atingiu 14 pessoas, segundo o governo do Paraná, e matou dois motoristas. Ao todo, três carros e seis caminhões foram retirados do local do deslizamento.

A Polícia Civil investiga causas e eventuais responsabilidades sobre o episódio, enquanto o Ministério Público Federal (MPF) iniciou procedimento para averiguar “eventual responsabilidade” da Polícia Rodoviária Federal (PRF), de acordo com informações do G1.

Em situações como essa, não é incomum que líderes sobrevoem o local de acidentes de grandes proporções, se solidarizem com as vítimas e prometam buscar os responsáveis. Nada disso veio de Bolsonaro, o mesmo presidente que foi até a Inglaterra, em plena campanha, participar do velório da falecida Rainha Elizabeth.

  • 4 - PEC ‘Fura-Teto’

O Congresso Nacional se organiza para definir o texto e votar uma proposta de emenda constitucional proposta pelo governo eleito que dará espaço no orçamento do próximo ano. A medida também permitirá deixar o atual Auxílio Brasil fora do teto de gastos por um determinado período.

Políticos e economistas criticam ou defendem a proposta. O mandatário brasileiro, além de não estar participando do processo de transição de governo e de não ter recebido o seu sucessor, também não aproveitou nenhum de seus canais para falar sobre o assunto ou rebater as críticas severas que a equipe de Lula tem feito sobre os quatro anos de gestão do representante do PL.

Melancólico

Além disso, foi o senador eleito quem informou sobre a infecção na pele tratada pelo mandatário e que o impossibilitou de sair de casa por um período. As duas coisas seriam as justificativas para o chefe do Executivo não ter pisado no Palácio do Planalto, seu local oficial de trabalho, por mais de 20 dias.

Desde o dia 30 de outubro, data de encerramento da disputa eleitoral, Bolsonaro só se manifestou publicamente duas vezes: num discurso de menos de três minutos no Palácio do Alvorada, e em vídeo pedindo que apoiadores desocupassem as rodovias federais com protestos em favor dele.