Quatro guerrilheiros do ELN morrem em bombardeio militar na Colômbia

(Arquivo) Soldados e policiais colombianos patrulham durante um "ataque armado" de três dias em todo o país convocado por guerrilheiros de esquerda do ELN em Medellín, Colômbia

Quatro guerrilheiros do ELN morreram nesta quinta-feira em um bombardeio militar no norte da Colômbia, informou o ministro da Defesa Carlos Holmes Trujillo.

Entre os mortos, está um líder local do grupo rebelde conhecido como Mocho Tierra e "mais três terroristas" que estavam em um campo no município de Montecristo, departamento de Bolívar, disse a autoridade em uma entrevista coletiva em Bogotá.

Mocho Tierra "era considerado um alvo de alto valor e estava vinculado ao planejamento e execução de ações terroristas contra a população civil e a força pública nos departamentos de Antioquia (noroeste) e Bolívar", acrescentou Trujillo.

Investigado por terrorismo, o guerrilheiro foi acusado de coletar renda do narcotráfico e da exploração ilegal de minérios que representavam cerca de um milhão de dólares por mês para o ELN, segundo o ministro.

A ofensiva militar ocorre um dia depois que os Estados Unidos incluíram Cuba na lista de países que não colaboram na luta contra o terrorismo por receber negociadores de paz do Exército de Libertação Nacional (ELN), exigidos pela justiça colombiana.

Armado em 1964, o ELN é considerado uma organização "terrorista" pelo governo dos EUA.

A delegação insurgente permanece na ilha desde que o presidente Iván Duque enterrou as negociações de paz que seu antecessor, o vencedor do Prêmio Nobel da Paz Juan Manuel Santos, instalou com os guerrilheiros de Guevara.

Duque encerrou as negociações, que acontecem em Havana desde 2017, após um ataque com carro-bomba do ELN contra uma academia de polícia em Bogotá que deixou 22 cadetes mortos, além do atacante, em janeiro de 2019. Desde então, ele exige que Cuba entregue a comissão rebelde.

Cuba, que atuou como garantidora nos diálogos, alega que os protocolos estabeleceram que, em caso de falha, os negociadores deveriam retornar a um ponto seguro na Colômbia, de onde voltariam a se esconder.

O líder conservador disse que conversaria com o ELN se libertassem os sequestrados em seu poder e suspendessem todas as "atividades criminosas". A liderança rebelde se recusa a considerar imposições unilaterais.

Última guerrilha reconhecida na Colômbia após o desarmamento das FARC em 2016, o ELN tem cerca de 2.200 homens de armas e uma extensa rede de apoio nas áreas urbanas.

Investigações independentes estimam que suas operações se estendem a 10% dos 1.100 municípios colombianos.