Quatro homens negros acusados injustamente de estupro são inocentados 72 anos depois

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In this undated image released by the State Library and Archives of Florida, Lake County Sheriff Willis McCall, far left, and an unidentified man stand next to Walter Irvin, Samuel Shepherd and Charles Greenlee, from left, in Florida. The three men along with a fourth were charged with rape in 1949. Florida Gov. Ron DeSantis and a Cabinet granted posthumous pardons Friday, Jan. 11, 2019, to Shepherd, Irvin, Charles Greenlee and Ernest Thomas, the four African-American men accused of raping a white woman in 1949 in a case now seen as a racial injustice.  (State Library and Archives of Florida via AP)
O xerife Willis McCall ao lado de um homem não identificado e Walter Irvin, Samuel Shepherd and Charles Greenlee. Foto: State Library and Archives of Florida via AP.
  • Eles ficaram conhecidos como Os Quatro de Groveland

  • Nenhum deles está vivo

  • História inspirou livro premiado

No mesmo tribunal onde foram condenados injustamente há 72 anos, quatro homens negros tiveram sentença e indiciamento anulados pela Justiça dos Estados Unidos. Conhecidos como Os Quatro de Groveland, eles foram acusados erroneamente de raptar e estuprar uma garota branca na Flórida, em 1949.

Charles Greenlee, Walter Irvin, Samuel Shepherd e Ernest Thomas tinham entre 16 e 26 anos na época. Nenhum deles está vivo para ver o desfecho de seu caso.

Thomas chegou a ser vítima de uma caçada planejada por um grupo com mais de mil homens armados. Os outros três acusados sofreram agressões enquanto estavam sob custódia do Estado, antes de serem condenados por um júri formado apenas por pessoas brancas.

Irvin quase foi condenado à morte em 1954, mas teve sua sentença convertida em prisão perpétua, com direito à liberdade constitucional. Ele ganhou liberdade em 1968, mas faleceu no ano seguinte.

Greenlee, que também foi condenado à prisão perpétua, recebeu liberdade condicional em 1962 e morreu em 2012.

Shepherd, por sua vez, foi morto por um xerife enquanto se deslocava para um novo julgamento.

Os indiciamentos de Ernest Thomas e Samuel Shepherd foram descartados pela juíza Heidi Davis, da Flórida, que também cancelou as condenações e sentenças de Charles Greenlee e Walter Irvin.

Eles já haviam recebido perdão do Estado da Flórida em janeiro de 2019.

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Monumento em homenagem aos "Groveland Four" em museu em Tavares, na Flórida. Foto: REUTERS/Octavio Jones.

A notícia emocionou os familiares dos homens, que afirmaram que outras condenações agora poderão ser analisadas.

"Somos abençoados. Espero que isso seja um começo porque muitas pessoas não tiveram essa oportunidade. Muitas famílias não tiveram essa oportunidade", afirmou Aaron Newson, sobrinho de Thomas, emocionado. "Este país precisa se unir."

Já Carol Greenlee, que na época da condenação injusta do pai Charles Greenlee tinha 16 anos, chorou e caiu nos braços de uma pessoa ao seu lado ao ouvir a decisão.

Carol Greenlee Crawley, second from left, daughter of Charles Greenlee, reacts after Circuit Court Judge Heidi Davis dismissed all charges against Ernest Thomas, Samuel Shepherd, Charles Greenlee and Walter Irvin, known as the Groveland Four, during a proceeding at the Lake County Courthouse Monday, Nov. 22, 2021, in Tavares, Florida. The four were falsely accused of raping 17-year-old Norma Padgett and assaulting her husband in 1949. (Phelan M. Ebenhack/Orlando Sentinel/Tribune News Service via Getty Images)
Carol Greenlee Crawley, filha de Charles Greenlee, chora ao ouvir a anulação da sentença do pai. Foto: Phelan M. Ebenhack/Orlando Sentinel/Tribune News Service via Getty Images.

A ação pela inocência dos homens foi iniciada em outubro pelo procurador estadual, o republicano Bill Gladson.

"Seguimos as evidências para ver aonde elas nos levaram, e elas nos levaram a este momento", disse Gladson.

A história dos homens inspirou o livro “Devil in the Grove", premiado com o Pulitzer em 2013.

Histórico

No século XIX e XX, nos Estados Unidos, foi comum o julgamento de homens negros por crimes que não cometeram. Muitos eram acusados erroneamente de atacar sexualmente mulheres brancas, em um período que a sociedade buscava pintar homens negros como violentos e perigosos. Muitos desses homens foram perseguidos e assassinados por pessoas brancas.

Um dos casos mais notórios é o de Jesse Washington, um trabalhador agrícola negro que foi apontado como culpado pelo estupro e assassinato de uma mulher branca, Lucy Fryer, esposa de seu empregador, em Waco, no Texas. No dia 15 de maio de 1916, aos 17 anos de idade, foi condenado, mesmo sem testemunhas, e linchado por moradores da cidade, além de ter seu corpo queimado.

Uma história mais recente é a dos cinco jovens negros, um deles de origem latina, que foram presos e condenados por agredir e estuprar uma mulher branca no Central Park, em Nova York, no ano de 1989. A história dos “Central Park Five” inspirou a série do Netflix “Olhos que Condenam”.

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