Quatro meses antes da morte de advogado, jovem morreu com pescoço cortado no Centro após reconhecer ladrão em bloco

Em um caso recente de violência no Centro do Rio, o advogado Victor Stephen Coelho Pereira, de 27 anos, foi esfaqueado e morreu quando saía de uma festa. O crime aconteceu na Praça da República, entre a noite de sexta-feira e a madrugada de sábado (23). Agentes da PM do 5º Batalhão (Praça da Harmonia) encontraram o jovem já sem vida — e sem carteira e celular. Imagens de câmeras da região podem ajudar a desvendar quem o matou e o que aconteceu. Também este ano um jovem foi gravemente ferido e morreu e outro foi ferido no abdômen e se recuperou, ambos os casos na região central da cidade.

Victor morava em Vila Isabel, na Zona Norte. Formado em Direito em 2020, na Universidade Candido Mendes, ele atuava como assistente jurídico em um escritório de advocacia. O jovem era torcedor do Flamengo — amor homenageado por amigos que usaram a camisa do time no velório, nesta segunda-feira. Ele era membro do time de futebol amador Radical Contra F.C., marcado por ideais de esquerda.

A área em que ele foi encontrado, perto da Estação Saara do VLT, passou por perícia. A investigação ficou a cargo da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). Segundo a polícia, diligências estão em andamento para identificar a autoria e esclarecer a motivação do crime. Câmeras de segurança no local podem ajudar a identificar quem praticou o crime.

De acordo com a polícia, agentes da PM estavam em patrulhamento quando foram acionados para o local, onde encontraram o corpo, naquele momento ainda sem identificação. Uma equipe do Corpo de Bombeiros constatou o óbito. Victor foi vítima de agressão por arma branca, e a morte foi confirmada pouco depois da meia-noite.

Há cerca de dois meses, o estudante universitário Renan Rodrigues do Nascimento, de 27 anos, foi esfaqueado no abdômen e no braço na Praça Cristiano Ottoni, em um dos acessos ao metrô da Central do Brasil. Morador de Irajá, no dia 30 de maio, ele caminhava direção à Escola Nacional de Ciências e Estatísticas (Ence/IBGE), quando foi atacado por uma mulher e dois homens para assaltá-lo, contou à época o pai do rapaz, Nivaldo Cirilo do Nascimento.

Renan teria sido ferido na abordagem por não ter escutado o anúncio do assalto. Ele usava fones de ouvido no momento do crime. Ao fazer o movimento para retirar o aparelho quando um dos três criminosos disse " “Mete a faca nele. Mete a faca nele”. O estudante foi esfaqueado e os criminosos fugiram em seguida.

Em 6 de março, foi registrada a morte de Lucas Ferreira Viana, de 27 anos, uma semana depois de ele ser assaltado. O jovem, formado em Relações Públicas e morador da Tijuca, curtia o carnaval durante a madrugada em um bloco no Centro do Rio, na Praça Quinze, quando reconheceu um grupo que o teria roubado dias antes.

Ele foi até o grupo e, ao abordar os suspeitos, teve início uma discussão. Em seguida, um adolescente quebrou uma garrafa de vidro e foi em direção a Lucas, ferindo-o no pescoço diversas vezes. O grupo fugiu em seguida. Policiais militares do 5° Batalhão fizeram um cerco em ruas do Centro e prenderam o adolescente que teria desferido os golpes e um homem. Uma amiga que acompanhava Lucas quando ele foi atacado reconheceu os dois detidos.

Lucas foi levado para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, mas não resistiu aos ferimentos e morreu ao dar entrada na unidade. Ele era descrito como um jovem alegre, aventureiro, espirituoso e apaixonado por carnaval.

Em novembro de 2020, o cineasta Cadu Barcellos, de 34 anos, também foi uma vítima da violência no Centro do Rio. Na madrugada do dia 11, ele foi morto a facadas na Avenida Presidente Vargas, esquina com a Rua Uruguaiana. Ele tinha saído da Pedra do Sal, no Santo Cristo, quando foi ferido numa tentativa de assalto. Segundo relatos, Cadu chegou a ser visto gritando por socorro, mas não resistiu, tendo morrido após caminhar alguns metros e cair. Policiais do 5º BPM (Praça da Harmonia) já o encontraram morto no chão.

Cadu Barcellos dedicou-se a mostrar em sua arte a vida real nas favelas cariocas. Suas referências e vivências como morador da Maré eram elementos fundamentais de suas produções. Em uma de suas obras de destaque está a participação no longa “Cinco vezes favela – Agora por nós mesmos”, de 2010, produzido por Carlos Diegues e Renata Almeida Magalhães, o qual participou como diretor e argumentista no episódio "Deixa voar". Ele também foi o criador do Maré Vive, um canal de mídia comunitária feito de forma colaborativa por moradores de diversas favelas do Complexo da Maré.

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