Quatro pacientes com Covid vindos de AM e PA estão isolados em hospital municipal de Pirituba, em SP

ALINE MAZZO
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quatro pacientes com Covid-19 vindos do Amazonas e do Pará estão isolados no Hospital Municipal Doutor José Soares Hungria, em Pirituba, zona norte da capital paulista. Desses, um já teve confirmada a contaminação pela nova variante do coronavírus identificada em Manaus. Segundo o diretor da unidade, Renato Tardelli, a paciente com Covid-19 causada pela variante é uma mulher de 61 anos. Ela teve a doença diagnosticada em Manaus, mas, diante do caos no sistema de saúde da cidade, resolveu embarcar em um voo comercial e buscar atendimento em São Paulo, onde tem parentes. Há ainda outros dois homens e uma mulher --oriundos de Manaus (AM), Parintins (AM) e Santarém (PA)-- isolados no hospital. Dois têm respondido bem ao tratamento e um está em estado grave, na UTI. Eles ainda aguardam exames para confirmar qual variante do vírus que os contaminou. "O problema é que esses pacientes dão entrada no sistema de saúde com endereço de São Paulo, pois temem não ser atendidos se informarem que são de outro estado. Esses doentes que vieram do Amazonas, por exemplo, só descobrimos que vieram buscar tratamento aqui depois de falarmos com parentes", explica Tardelli. A Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde) formalizou nesta quarta-feira (27), segundo o diretor, o encaminhamentos de pacientes com suspeita de contaminação pela variante para o hospital. Segundo ele, a unidade já estava com o trabalho de identificar pacientes com Covid-19 vindos do Amazonas, para isolá-los dos demais. "Somos um hospital pequeno e nossa arquitetura favorece o isolamento de UTIs e de áreas a serem usadas somente por profissionais que cuidarão dos doentes isolados", diz Tardelli. O hospital tem cem leitos exclusivos para tratamentos de pacientes com Covid-19 e está com 70% de ocupação. O diretor conta que o primeiro paciente vindo de Manaus deu entrada na unidade no último dia 7 de janeiro, mas teve complicações e morreu no dia 19. Ainda não se sabe se ele foi contaminado pela nova variante. O Instituto Adolfo Lutz já identificou três pacientes infectados pela variante de Manaus. Ele afirma que as equipes de atendimento perceberam que os infectados pela variante têm um agravamento do quadro de saúde muito rápido e se mostram resistentes aos tratamentos utilizados. "A gente não pode tirar o olho desse paciente na UTI porque ele descompensa muito rápido. Só não sabemos dizer se essa variante é mais agressiva ou se os pacientes que a gente têm tratado chegam com um estágio mais avançado da doença, pois saíram do seu estado e viajaram para se tratar aqui", diz o médico. A Secretaria Municipal da Saúde foi questionada na tarde desta quinta-feira (28) pela reportagem a respeito de medidas para localizar pessoas que tiveram contato com a paciente infectada pela variante, mas não respondeu até a publicação deste texto.