Que futuro para oito mil milhões de pessoas

Que futuro para oito mil milhões de pessoas

8 mil milhões de pessoas a viver no planeta. Uma meta alcançada esta terça-feira nas contas da Organização das Nações Unidas. Os números redondos convidam à reflexão. Como é que aqui chegámos? Como vamos evoluir?

Os sinais da história mostram-nos que foram precisos milhões de anos para sermos mil milhões. A marca foi atingida já no século XIX, na sombra da revolução industrial e da inovação científica. Um período-chave que os demógrafos sabem explicar de cor.

"Explica-se com aquilo a que chamamos a transição demográfica, que é o processo que as sociedades atravessam com taxas de nascimento e morte muito elevados, natalidade e mortalidade muito elevadas," explica Arjan Gjonca, professor no departamento de Demografia e Políticais sociais da London School of Economics, sublinhando que "atualmente registamos uma natalidade e mortalidade muito baixas num grande número de países do mundo".

De acordo com as projeções das Nações Unidas, o crescimento demográfico vai abrandar sobretudo a partir de 2050 e deve atingir o máximo no final do século. Uma previsão que depende de vários fatores. A começar nas políticas sociais e de saúde, que têm impacto direto na taxa de natalidade, e a terminar nos desafios globais, especialmente as alterações climáticas.

A redução da fatia de população ativa e o envelhecimento dos cidadãos é já evidente em praticamente toda a Europa, América do Norte e alguns países asiáticos.

"Quem vai tomar conta dos idosos?"

Para Arjan Gjonca, "a assistência social é uma questão que a maioria dos países europeus enfrenta: quem vai tomar conta destes idosos? Mesmo onde culturalmente se assuma que as famílias vão cuidar deles, não há muitas famílias". O demógrafo dá o exemplo da China que "enfrenta já o facto de não haver irmãos, e um casal tem de cuidar de quatro idosos".

Nos próximos 30 anos, devemos ser mais 700 milhões de pessoas na Terra e África terá as maiores taxas de natalidade do mundo. A tendência da Europa é a oposta: até 2050, a população do continente deverá diminuir. Nessa altura, um em cada quatro europeus terá mais de 65 anos de idade.