'Que mais mulheres ganhem esse reconhecimento internacional', diz diretora de filme brasileiro indicado ao Oscar

Maria Fortuna

A diretora Petra Costa teve seu filme "Democracia em vertigem", que narra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, indicado ao Oscar de melhor longa documental. O anúncio foi feito nesta-segunda-feira. A produção concorre na mesma categoria de "Indústria americana" (EUA), produzido pelo casal Obama, "For sama" (Reino Unido e Síria), "Honeyland" (Macedônia do Norte) e "The cave" (Tailândia e Irlanda).A mineira de 36 anos, que também assinou os documentários "Elena" (2012) e "Olmo e a gaivota" (2014), premiados respectivamente nos festivais de Brasília e do Rio, pode se tonar a primeira diretora latino-americana a ganhar uma estatueta.

- Insha’la que mais mulheres e Latino Americanos ganhem essestipos de reconhecimento internacional - diz a diretora.

Nesta entrevista, ela revela que não esperava a indicação ("me surpreendi, ainda parece um sonho"), conta detalhes da campanha para levar o filme à indicação ("convidei pessoas para seremanfitriões essas sessõe como Wim Wenders, Spike Lee e Jane Campion, que fizeramdepoimentos muito fortes sobre como eles sentiam que o filme falava da crise democrática e daascensão da extrema direita no mundo") e diz que o longa está acima de ideologia.

- Nosso filme toma partido do estado de direito e da importância que é preservar a democracia. Oque me motivou foi perceber oavanço da intolerância, a distorção dos fatos e a manipulação das instituições democráticaspara servir certos interesses. Infelizmente isso não é um fenômeno só brasileiro, mas global - afirma ela. - Tenho recebido mensagens de pessoas que deixaram de se falar pordivergências políticas e que através do filme voltaram a se falar por terem sentido uma empatiacom o outro lado. Na minha própria família vi isso acontecer também. A polarização já existe. O meu desejo por meio da arte e gerar empatia e entendimento.

Petra também rebate a afirmação do secretário de Cultura do Governo, Roberto Alvim, de que o filme deveria estar indicado na "categoria ficção".

- É uma pena que tenha gente que, por incapacidade ou má intenção, nãodistingue a ficção da realidade.

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