Site que perdeu anúncio do Banco do Brasil veiculou fake news nas eleições de 2018

RIO — Objeto de uma campanha contra notícias falsas na internet, o site Jornal da Cidade Online tem divulgado informações inverídicas ou distorcidas pelo menos desde as eleições de 2018. Verificações feitas por agências jornalísticas especializadas no tema, como Aos Fatos e Lupa, mostram que o portal já publicou incorreções a respeito do poder Judiciário, mais precisamente sobre a Justiça Eleitoral, e de personalidades da política.

Os conteúdos veiculados pelo site têm sido alvo de campanha nas redes sociais — o perfil do Twitter Sleeping Giants Brasil, inspirado num similar americano, conclama empresas públicas e privadas a retirar publicidade de sites suspeitos de promover fake news. Entre as marcas acionadas via rede social, estão bancos públicos, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, ambos com anúncios exibidos no Jornal da Cidade Online.

Nesta quarta-feira, após a campanha ganhar força na internet, o Banco do Brasil anunciou que a propaganda da instituição, distribuída automaticamente, não seria mais autorizada a aparecer no portal suspeito. Depois, empresas privadas como o McDonald's e a Philips Brasil fizeram o mesmo. Convidada publicamente a tomar a mesma atitude, a Caixa Econômica ainda não anunciou medidas nesse sentido para seus anúncios.

A suspensão anunciada pelo Banco do Brasil provocou críticas do vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho do presidente Jair Bolsonaro. O parlamentar afirmou que o “marketing do Banco do Brasil pisoteia em mídia alternativa que traz verdades omitidas”. Diante da reclamação, o secretário de comunicação do governo, Fabio Wajngarten, indicou que poderia reverter a decisão. O BB, no entanto, não respondeu ao GLOBO se pretende alterar a diretriz de propaganda e retomar os anúncios suspensos. A Secom também não se manifestou.

As agências jornalísticas de checagem discordam que o teor do conteúdo divulgado pelo Jornal da Cidade Online seja apenas “alternativo” e o classificam, em geral, como falso ou duvidoso.

Em 17 de setembro de 2018, por exemplo, o portal publicou matéria com o título “Tribunal Superior Eleitoral entregou códigos de segurança das urnas eletrônicas para a Venezuela e negou acesso para a auditores brasileiros”. Compartilhada 60 mil vezes em uma rede social, a informação estava distorcida e tratava sobre uma licitação cancelada quatro meses antes, que não chegou sequer ser concluída.

Publicada em 24 de outubro de 2018, a matéria “Ciro Gomes volta da Europa e vota em Bolsonaro” foi compartilhada 9 mil vezes e classificada como falsa pela agência Aos Fatos. Àquela altura, Ciro, derrotado em primeiro turno, tinha declarado apoio crítico ao candidato do PT, Fernando Haddad, junto com seu partido, o PDT. Não havia sinal de que ele apoiaria Bolsonaro.

Para a Agência Lupa, é falsa notícia publicada pelo portal em 5 de dezembro de 2019. Com o título “Fundador e ex-deputado do PT denuncia envolvimento de Lula e do partido com o narcotráfico”, a matéria incluía um texto do ex-deputado estadual de Sergipe Ismael Silva no qual ele embasava suas afirmações a um áudio comprovadamente falso atribuído ao petista.

Procurado, o editor do Jornal da cidade Online, José Tolentino, disse que não se manifestará sobre o caso após ter recebido orientação jurídica nesse sentido.