Que a política permaneça ao largo dos quartéis, diz general Rêgo Barros, ex-porta-voz de Bolsonaro

LEANDRO COLON
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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O general Otávio do Rêgo Barros, da reserva do Exército, afirmou nesta terça-feira (30) ao jornal Folha de S.Paulo que a política deve permanecer distante dos quartéis. "Reforço a importância da independência das FA (Forças Armadas), como instituição de Estado, para a promoção da paz social, bem como para a superação dos desafios de toda ordem aos quais a sociedade é submetida. Que a política permaneça ao largo dos quartéis", afirmou. O general, porém, evitou tecer mais comentários sobre a crise instalada no Ministério da Defesa, com as demissões do general Fernando Azevedo e Silva do cargo de ministro e dos três comandantes das Forças Armadas. "Estive afastado de todo esse processo e seria leviano de minha parte aportar opinião", disse o general. Pela primeira vez na história, os três comandantes das Forças Armadas pediram renúncia conjunta por discordar do presidente da República. O tom da declaração de Rêgo Barros vai na linha do teor da carta divulgada por Azevedo após ser demitido por Bolsonaro no começo da tarde de segunda-feira (29). O general agradeceu o presidente e disse que, "nesse período, preservei as Forças Armadas como instituições de Estado". Nos bastidores, a avaliação é de que Azevedo deixou o primeiro escalão da Esplanada porque se recusou a politizar as Forças Armadas. Em entrevista ao blog da jornalista Andréia Sadi, no G1, o vice-presidente Hamilton Mourão, que é general da reserva, afirmou não ver chance de abalos institucionais. "Zero. Pode botar quem quiser, não tem ruptura institucional. As Forças Armadas vão se pautar pela legalidade, sempre." ​Como mostrou a Folha de S.Paulo, Bolsonaro decidiu demitir o ministro da Defesa porque está insatisfeito com o afastamento crescente do serviço ativo das Forças Armadas do governo. No seu lugar, foi nomeado o general Braga Netto, então ministro da Casa Civil. O general Rêgo Barros deixou o Planalto desgastado com Bolsonaro. O seu cargo de porta-voz foi extinto em outubro pela Presidência da República. O general da reserva já não fazia pronunciamentos oficiais desde março, após, segundo assessores presidenciais, incômodo de Bolsonaro com o protagonismo que o militar ganhou à frente do posto. Pouco depois, em artigo publicado no jornal Correio Braziliense, ele fez críticas indiretas ao presidente e à gestão. Rêgo Barros se somou a outros militares que se tornaram vozes críticas a Bolsonaro depois de passarem por cargos civis.