Queda de bimotor no Rio: 'Tentativa de pouso é mais difícil', diz especialista

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Entre as hipóteses sobre a causa da queda de um avião bimotor que caiu em mar aberto entre Ubatuba (SP) e Paraty (RJ), na noite desta quarta-feira, a tentativa de pouso é "mais difícil", segundo especialista em segurança de voo consultado pelo GLOBO. Três pessoas estavam na aeronave.

Destroços supostamente relacionados à aeronave desaparecida foram localizados por volta de 6h45 desta quinta-feira, de acordo com a Força Aérea Brasileira (FAB). Uma das imagens compartilhadas é de um banco da Piper, mesma fabricante do bimotor modelo PA-34-220T e matrícula PPWRS.

Para Roberto Peterka, especialista em segurança de voo e consultor aeronáutico, os indícios sugerem que pode ter havido grande impacto, perda de instrumento ou projeção da aeronave. Uma eventual tentativa de pouso, que está entre as possibilidades aventadas, é "mais difícil", segundo ele.

— Provavelmente, estava voando sob controle, voando por instrumento. É preciso verificar informações de radar, velocidade, controle do tráfego, mas essa imagem da poltrona significa que houve grande impacto ou desorientação espacial, perda de instrumento, se projetou ou pode ter tentado um pouso, o que é um pouco mais difícil — disse Peterka.

O avião pertencia ao copiloto, identificado como José Porfírio de Brito Júnior, de 20 anos. A aeronave não poderia fazer táxi aéreo, mas tinha autorização para fazer voos noturnos privados, conforme consulta da matrícula. A vistoria estava em dia. Procurada, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) ainda não respondeu os questionamentos da reportagem.

Segundo Peterka, trata-se de um modelo executivo bem antigo, cujo ano de fabricação é 1981. A aeronave é similar ao modelo conhecido no Brasil como Seneca e comporta até seis passageiros. O especialista em segurança de voo afirma que a aeronave da Piper pode ser usada para táxi aéreo desde que obedecendo as restrições, mas neste caso, conforme os registros, seria de operação privada.

— Geralmente a pessoa usa para se deslocar para a fazenda e administrativamente — disse Peterka. — Existem modelos mais resistentes, mais fortes. Você não vai querer comparar um fusca com um trator. Tem que respeitar as suas limitações.

Ainda de acordo com Peterka, a área onde o bimotor caiu é usada em rotas e não é considerada de risco, apesar de haver registros de outros acidentes nas proximidades, como o que matou o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki e outras quatro pessoas em 2017.

Segundo o "Bom dia Rio", da TV Globo, o voo saiu às 20h30 de Campinas, no interior de São Paulo, e pousaria no Aeroporto de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. No entanto, trinta minutos após decolar, caiu em mar aberto na divisa entre São Paulo e Rio. A Marinha, a Capitania dos Portos e a Defesa Civil de São Paulo ajudam nas buscas. O Corpo de Bombeiros do Rio afirmou que disponibilizou uma equipe para ajudar nas buscas.

Thalya Viana, namorada do copiloto, afirmou ao telejornal que o voo saiu do Rio por volta das 8h30 em direção à São Paulo e retornaria para a capital fluminense por volta das 18h30. No entanto, a decolagem atrasou e o trio só saiu da capital fluminense duas horas depois. Meia hora depois, a jovem disse que o avião desapareceu.

— Ele saiu do Aeroporto de Jacarepaguá, por volta das 8h30, com outras duas pessoas, e foram até São Paulo. Eles voltariam para cá às 18h, mas o avião atrasou e eles só saíram por volta das 20h30. Ele voava no avião de outra pessoa — destacou a jovem que completou: — Não temos nenhuma informação ainda. Estamos desde as 21h tentando alguma notícia. A primeira (notícia) foi que ele caiu. Mas depois (veio a notícia) que ele caiu e foi resgatado e depois ele teria feito um pouso forçado entre Ubatuba e Trindade e que eles tinham sido resgatados. Ligamos para todos os hospitais próximos, mas ele não deram entrada. A única coisa que queríamos era uma coordenada para procurar. A Capitania dos Portos não tinha barco. A gente quer buscar respostas — diz Thalya Viana.

Segundo a namorada de José, os pais do rapaz chegaram a alugar um barco por conta própria para fazer as buscas em alto mar. Na manhã desta quarta-feira, o Centro de Coordenação de Salvamento Aeronáutico montou uma operação para tentar localizar as vítimas.

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