Queda na bilheteria, queda na audiência: a Fórmula Marvel finalmente desgastou?

Benedict Cumberbatch na sessão première de
Benedict Cumberbatch na sessão première de "Doutor Estranho no Multiverso da Loucura", em Los Angeles, no dia 2 de maio de 2022 (Foto: REUTERS/Mario Anzuoni)

O ótimo final de semana de abertura de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura não foi o suficiente para manter o otimismo com a bilheteria dos filmes Marvel. Depois de fazer US$ 187 milhões na estreia, o longa viu uma queda de quase 70% na semana seguinte, o que a terceira pior queda da história do Marvel Studios - Viúva Negra, um filme pandêmico e com pior abertura do MCU, e Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, a segunda maior abertura da história da franquia, mas que ultrapassou US$ 1.5 bilhão no fim da corrida.

Se você somar a isso a adição baixa de assinantes no Disney Plus, serviço que é capitaneado por séries do mesmo universo como Cavaleiro da Lua e Gavião Arqueiro, é possível indagar se finalmente a Fórmula Marvel se desgastou. Os números de bilheteria e de assinantes, ainda que dentro do contexto de pandemia, sugerem que sim, pois se não for um personagem conhecido (Doutor Estranho, Homem-Aranha ou Loki) o público geral dificilmente se engaja. Vide Eternos, que não chegou nem aos 500 milhões de bilheteria.

Todo o cenário de retorno aos cinemas e a explosão de streaming deixa a análise destes números cada vez mais enviesada, ainda que faça sentido em termos de negócio. O estúdio vai olhar resultados para entender o que está funcionando. Mas e se formos olhar o lado criativo e o contexto dos personagens em questão? Aí é onde está, talvez, o ponto de conflito para este momento turbulento da Marvel, que hoje procura fugir da receita de 10 anos dos Vingadores, mas não consegue o fazer a ponto de achar uma nova fórmula.

Eternos, dirigido pela vencedora do Oscar Chloe Zhao, foi um fracasso de público. O Cavaleiro da Lua dividiu os fãs mais ávidos. Doutor Estranho 2 marcou a volta de Sam Raimi, mas passou longe da unanimidade. Gavião Arqueiro e Kate Bishop foram a pior audiência do Disney Plus. Tirando a bilheteria estrondosa de Homem-Aranha, que é produzido pela Sony, há pouco para a Marvel comemorar nos últimos meses, se olharmos apenas os resultados de bilheteria e afins.

As movimentações em bastidores, porém, sugerem o início de uma onda de criatividade diferente, que aposta em cineastas novos, como Nia da Costa em Capitã Marvel 2 e Bassam Tariq em Blade. Histórias mais diversas e inclusivas como Ms Marvel, She Hulk e Coração de Ferro, e ainda nomes consagrados no bolo como Taika Waititi, Ryan Coogler e o próprio Sam Raimi. O fato é que mesmo com essa nova ideia do que é o MCU no streaming e no cinema, a Marvel já sente nos números que seguir a mesma fórmula não trará resultados como antes. O que resta saber é quão disposto o estúdio estará para apostar numa receita nova - já que para achar o MCU do jeito que ele é hoje foram preciso números ruins como os de Thor e o primeiro Capitão América.

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