Queda de Guimarães e derrota no TJ: o dia em que as mulheres venceram o bolsonarismo

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Employees of Caixa Economica Federal bank wear stickers over their mouths, reading
Funcionárias da Caixa Econômica Federal protestam contra o presidente da instituição, que caiu sob suspeita de assédio. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Acusado por funcionárias de assédio e importunação sexual, o presidente da Caixa Econômica Federal Pedro Guimarães oficializou, na quarta-feira (29), o seu pedido de demissão.

Jair Bolsonaro ficou sem alternativa a não ser aceitar, com dor no coração, a saída de seu parceiro preferencial em viagens e lives semanais.

Entre a publicação das primeiras notícias com as suspeitas de abuso e a demissão, Pedro Guimarães não ficou nem 24 horas sob pressão. Sua saída diminui a temperatura, mas não afasta a crise (uma de tantas) do entorno presidencial. Mesmo que uma mulher, Daniella Marques, tenha sido escolhida para seu lugar.

Que ninguém se engane: a demissão do parceiro visa apenas conter os estragos políticos a menos de cem dias das eleições.

Guimarães, afinal, não surgiu ali por geração espontânea. Tinha em quem se escorar.

Seu (agora ex) chefe acaba de ser derrotado em uma ação julgada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo e movida pela repórter da Folha de S.Paulo Patrícia Campos Mello.

A jornalista foi alvo de ataques sexistas do presidente após publicar uma reportagem sobre um esquema de financiamento para disparos em massa que beneficiou o ex-capitão na campanha de 2018.

Bolsonaro sugeriu, na ocasião, que a profissional estava disposta a fazer sexo anal com uma fonte da reportagem em troca de informação. Nas palavras do presidente, ela “queria dar o furo a qualquer preço”.

Tratava-se de uma provocação, de duplo sentido, com um termo que designa o acesso a uma informação exclusiva.

Um dos entrevistados por Campos Mello havia dito, em um depoimento a parlamentares, que a repórter queria “um determinado tipo de matéria a troco de sexo”. Nunca apresentou provas, mas a acusação infundada alimentou posts e o discurso de bolsonaristas nos dias seguintes.

Por 4 votos a 1, o TJ de São Paulo considerou não ser aceitável a um presidente da República ofender, usando insinuação sexual, uma jornalista. Bolsonaro foi, assim, condenado a pagar R$ 50 mil à repórter.

A decisão foi classificada por Campos Mello, em suas redes sociais, como uma vitória de todas as mulheres.

O ataque de Bolsonaro contra a jornalista não foi o primeiro. Desde seu tempo de deputado o ex-capitão se tornou uma espécie de representação do desprezo masculino por mulheres –ao menos as que não se encaixam no papel de belas, recatadas e do lar e estão dispostas a confrontá-lo.

Hoje Bolsonaro ostenta índice de rejeição do eleitorado feminino que chega a 61%, segundo o Datafolha.

No primeiro turno, ele tem apenas 21% das intenções de voto entre as mulheres, contra 49% do ex-presidente Lula.

Desnecessário dizer que ele apenas colhe o que plantou. Sua coleção de ofensas, entre elas o abrigo a um suposto predador em suas lives, tem agora uma trilha de consequências.

Quis o destino que a decisão do TJ-SP acontecesse no mesmo dia em que acusações de assédio derrubaram o presidente da Caixa.

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