Queda do presidente da Cedae é derrota para Pastor Everaldo

Maiá Menezes

A saída de Hélio Cabral da presidência da Cedae é uma derrota para o pastor Everaldo Dias (PSC), dono das principais indicações políticas da companhia. Mas também resultado de uma estratégia de economizar com gastos que não poderiam deixar ser feitos, para alcançar resultados financeiros positivos. Foi essa estratégia que permitiu ao balanço da estatal de 2018 registrar um lucro líquido de R$ 832,6 milhões, uma variação de 197,5% em relação ao ano anterior.

O resultado, no papel, foi excelente, mas embutia um sinal de alerta: foi obtido mediante redução com despesas de custeio que prejudicariam o funcionamento da Cedae, na avaliação de ex-presidentes e de antigos funcionários da empresa. Em 2018, Hélio Cabral era o diretor financeiro da Cedae, responsável por dar aval a este método. Com a mudança de governo, aproximou-se de Pastor Everaldo e tornou-se cota do presidente do partido do governador Wilson Witzel.

Nas primeiras semanas da crise da geosmina, Witzel foi avisado por técnicos qualificados e ex-diretores da Cedae que a situação era grave. O alerta não era novo: no no ano passado, uma comissão da estatal informou que a manutenção do Guandu vinha se deteriorando, por herança também de governos anteriores.

A Cedae é o maior instrumento de saúde pública do Rio e produz o alimento de maior consumo no estado, nas palavras de um ex-presidente da companhia. Isso dá uma mostra do tamanho do prejuízo político que Witzel teve com os problemas da estatal neste verão. “É um caso de negligência sistêmica, resultado de falta da investimentos na manutenção do Guandu”, resume o presidente do conselho ambiental da OAB-RJ, Flávio Ahmed.