Queimados tem única vice-prefeita negra e maior número de secretárias municipais da Baixada

Cíntia Cruz
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Dos 13 municípios da Baixada Fluminense, apenas Queimados elegeu, pela primeira vez em 30 anos, uma mulher negra para o cargo de vice-prefeita. Na história do município, é a segunda vez que uma mulher assume o cargo. A primeira foi Márcia Teixeira, que venceu as eleições de 2012, na chapa do ex-prefeito Max Lemos.

Mas a ocupação feminina nos espaços de poder da cidade não parou por aí. Dez mulheres estão à frente de 13 secretarias municipais. Estreante na política, a vice-prefeita Maíse Justo (Solidariedade) é também a mais nova das quatro vices eleitas na região. Aos 27 anos, ela também pretende assumir uma pasta que trate da questão racial.

— Além de ser algo que eu gosto, é onde estou inserida. A pauta principal vai ser a questão racial, mas vai englobar comunidade LGBT e outras minorias — afirma.

Graduada em Administração e com experiência na área, Maíse exalta a capacidade das colegas que integram o governo. Para a vice-prefeita, é preciso questionar a ausência de mulheres no poder.

— Falta sensibilidade à sociedade. Ainda tem o machismo, o racismo estrutural. Então, a gente precisa analisar a razão de não ter essas pessoas ali. Por que não conseguimos encontrar a mulher nesse corpo técnico?

Médica e primeiro-tenente do Exército (ela já pediu baixa da corporação), Marcelle Nayda vai comandar a Secretaria de Saúde. Também graduada em Enfermagem e com mais de dez anos de experiência na área, ela afirma que, apesar da capacidade técnica, a mulher sempre esteve em desvantagem.

— Acho que o critério técnico sempre foi importante, mas estava sempre colocando o gênero em segundo plano. Nesse governo, o critério foi que essas pessoas podem, sim, ocupar esses espaços, mesmo sendo mulheres, porque todas são boas tecnicamente e reconhecidas em suas funções — avaliou a secretária de Saúde.

Ex-secretária estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Cristiane Lamarão assume a Secretaria municipal de Assistência Social. Com mais de 20 anos de experiência no setor público, ela destacou o trabalho no Centro Integrado de Atendimento à Mulher (Ciam).

— Vamos incrementar. Não só atender a questão da violência, mas a parte preventiva, oferecendo às mulheres cursos e empoderamento — prometeu.

As outras mulheres no comando de pastas são: Zilda Gitahy (Educação), Cristina Remmann (Obras), Fernanda Santos (Urbanismo e Habitação), Katia Ramos da Silva (Administração), Andrea Teodoro (Ambiente e Defesa de Animais), Dayane Aragoso (Projetos Especiais, Gestão de Convênios e Comunicação), Gracielle da Silva (Assuntos Estratégicos) e Dulcinea Macedo (Procuradoria Geral).

O prefeito Glauco Kaizer (Solidariedade) garante que a escolha não foi premeditada, mas disse ter comemorado:

— Fomos montando o staff com currículos que a gente recebia. Teve uma hora que percebi a quantidade de mulheres altamente gabaritadas. O critério foi competência. A gente só respeitou o que encontrou.