Queiroga diz que 'é preciso questionar tudo' e nega que Bolsonaro seja contra as vacinas

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RIO — Em coletiva de imprensa nesta sexta-feira com o prefeito do Rio, Eduardo Paes, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, negou que o presidente Jair Bolsonaro questione a eficácia das vacinas. O ministro argumentou que, na verdade, Bolsonaro afirma que "não se tem todas as evidências sobre as vacinas" e que os pesquisadores precisam ainda responder alguns questionamentos, como, por exemplo, a eficácia da vacinação em crianças.

Nesta semana, em entrevista concedida à "SIC TV", de Rondônia, o presidente atacou em diversas ocasiões a CoronaVac, vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, do governo do estado de São Paulo. Bolsonaro ironizou o imunizante fazendo uma comparação com a vacina da Pfizer contra a Covid-19 e afirmou, de maneira falsa, que a CoronaVac "não tem comprovação científica".

— O presidente Bolsonaro fala que não se tem ainda todas as evidências científicas sobre vacinas. E aí se interpreta que ele está questionando as vacinas. Nós temos que questionar tudo. Não temos todas as evidências científicas ainda. Não sabemos se podemos vacinar (com) a primeira dose de uma fabricante e (com) a segunda de outra. E como vamos saber disso? Fazendo pesquisa. Crianças devem ser vacinadas? Como é a questão das gestantes? São respostas que precisam ser dadas, e pelos pesquisadores.

Queiroga admitiu que em 2020 o Brasil pouco testou para a Covid-19. O ministro atribuiu a falta de testagem em massa à ausência de uma estrutura para o processamento dos testes RT-PCR.

— A estrutura para o RT-PCR ainda era pequena no ano passado e os resultados demoravam. Hoje o momento é outro, temos testes de antígeno rápido. Vamos trabalhar para testar até 20 milhões de brasileiros todos os meses, com estratégia na atenção primária. Testar a população em geral, os assintomáticos, pois sabemos que eles transmitem a doença — afirmou Queiroga.

Questionado sobre a quantas anda o estudo sobre o uso obrigatório de máscara, Queiroga afirmou que será feita uma avaliação técnica. Anteriormente, Bolsonaro anunciou que o ministério estava preparando um parecer para desobrigar o uso das máscaras:

— O presidente está vendo que outros países, como o Estados Unidos, já começam a flexibilizar o uso de máscara. E pediu para fazer um parecer, que será feito com dados técnicos.

Nesta sexta-feira, a diretora-geral assistente da Organização Mundial da Saúde, Mariângela Simão, destacou que o uso de máscaras segue recomendado pela OMS e afirmou que o Brasil precisa reforçar medidas preventivas de saúde pública contra a Covid-19.

— Houve uma polêmica recente no Brasil, sobre o uso de máscaras. O uso continua sendo uma recomendação da OMS. É importante destacar que a pandemia não acabou, ainda existe pressão sobre os sistemas de saúde. Todos os esforços que foram feitos para aumentar a cobertura vacinal devem ser feitos em conjunto com reforço das medidas de saúde pública — afirmou Simão, em coletiva on-line.

*Colaborou Raphaela Ramos

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