Queiroga diz que vai exonerar diretor acusado de pedir propina por vacina

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Roberto Ferreira Dias em coletiva do Ministério da Saúde (Anderson Riedel/PR)
Roberto Ferreira Dias em coletiva do Ministério da Saúde (Anderson Riedel/PR)

Resumo da Notícia:

  • Ministro Marcelo Queiroga decidiu demitir Roberto Ferreira Dias

  • Diretor de Logística da pasta é acusado de cobrar propina em negociação por vacina

  • Negócio de 400 mil doses de vacina teria propina de US$1 por dose

O diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, será exonerado do cargo após relatos de que ele cobrou propina para fechar contrato para compra de vacinas. A decisão foi revelada pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em entrevista à CNN Brasil. 

A decisão deve ser publicada na edição desta quarta (30) do Diário Oficial da União.

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Mais cedo nesta terça (29), Ferreira Dias foi acusado de cobrar propina de Luiz Paulo Dominguetti Pereira, representante da empresa Davati Medical Supply, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo.

Dias foi nomeado ao cargo na Saúde no dia 8 de janeiro de 2019, ainda com o comando do ministro Luiz Henrique Mandetta. Ele era uma indicação de Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo de Jair Bolsonaro na Câmara e nome citado nas denúncias dos irmãos Miranda no contrato com a vacina indiana Covaxin.

Em sua conta no Twitter, Barros negou ter indicado Dias ao cargo na Saúde. “Em relação à matéria da Folha, reitero que Roberto Ferreira Dias teve sua nomeação no Ministério da Saúde no início da atual gestão presidencial, em 2019, quando não estava alinhado ao governo. Assim, repito, não é minha indicação. Desconheço totalmente a denúncia da Davati", disse o deputado.

O suposto pedido de propina

Representando a Davati, Dominguetti negociava com o governo 400 milhões de doses da vacina da Astrazeneca, cobrando 3,50 dólares por cada dose. Depois disso, o preço subiu para 15,50 dólares por unidade.

Segundo o representante, Dias disse que para negociar com o ministério, ele precisaria "majorar o valor da vacina", colocando em um valor diferente do que era oferecido pela Davati. O diretor da pasta era acompanhado por um militar e um empresário de Brasília.

"Eu falei que não tinha como, não fazia, mesmo porque a vacina vinha lá de fora e que eles não faziam, não operavam daquela forma. Ele me disse: 'Pensa direitinho, se você quiser vender vacina no ministério tem que ser dessa forma", lembra o representante. Perguntado sobre a "forma", Dominguetti disse que seria "acrescentar um dólar por dose".

O representante afirmou ter negado o pedido de propina feito por Dias.

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