Queiroga pede a Pfizer que antecipe metade das 100 milhões de doses adquiridas pelo Brasil

Renata Mariz e Paula Ferreira
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BRASÍLIA — O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, pediu a farmacêutica Pfizer, nesta segunda-feira, que envie metade das 100 milhões de doses compradas pelo Brasil em um "curto prazo", segundo divulgação da própria pasta sobre o encontro. Queiroga falou com a presidente da Pfizer Brasil, Marta Díez, sobre a necessidade de acelerar a campanha de vacinação no país.

Segundo o ministério, o cronograma acertado no contrato prevê 13,5 milhões de doses da vacina da Pfizer no segundo trimestre do ano e outros 86,5 milhões de doses apenas no terceiro trimestre de 2021. “Precisamos ampliar a nossa capacidade vacinal agora. Convido vocês para fazermos esforços conjuntos para garantir essas vacinas o quanto antes”, disse Queiroga na reunião, segundo informe da pasta.

O ministério não divulgou se a presidente da Pfizer atenderá ao pedido ou ao menos abriu essa possibilidade. Ainda segundo a pasta, Díez afirmou que a previsão é de que o primeiro lote de vacinas da farmacêutica chegue ao país entre abril e maio, conforme o cronograma já acertado, com entregas semanais de forma escalonada.

Além da entrega das vacinas, a pasta divulgou que Queiroga "também alinhou com a farmacêutica questões de logística e distribuição dos imunizantes para todo o Brasil, de forma proporcional e igualitária", sem entrar em detalhes. A vacina da Pfizer é considerada a de mais difícil manipulação por depender de temperaturas muito baixas que não são garantidas pelos equipamentos disponíveis no Brasil na rede de frio de vacinação.

Em audiência no Senado, Queiroga comentou a conversa com a presidente da Pfizer, ressaltando que a "negociação é dura", mas que farmacêuticas que quiserem acessar o mercado brasileiro deverão ser "parceiras" do país.

— As indústrias farmacêuticas não são instituições filantrópicas e a negociação é dura. A indústria quer ter acesso ao sistema de saúde do Brasil, que é o maior sistema de saúde universal do mundo, ela vai ter que nos atender agora nessa dificuldade sanitária — disse, acrescentando:

— O ministro da Saúde está atento e será feita a devida contrapartida em relação à política de incorporação de inovações no sistema de saúde do Brasil. Podem ter certeza, não só em relação a essa farmacêutica, como (em relação) às demais. Querem ter acesso ao sistema de saúde do Brasil? Sejam parceiros do Brasil na hora que nosso país precisa.