Queiroz diz que seria morto como 'queima de arquivo' para culpar Bolsonaro

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A polícia prendeu Queiroz em um sítio na cidade de Atibaia, interior de SP | Foto: Reprodução/SBT
A polícia prendeu Queiroz em um sítio na cidade de Atibaia, interior de SP | Foto: Reprodução/SBT

Ex-assessor e acusado de ser operador de um esquema de rachadinha no gabinete do agora senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), Fabrício Queiroz afirmou que havia um plano para assassiná-lo como "queima de arquivo" na tentativa de incriminar o presidente Jair Bolsonaro

“Eu ia ser queima de arquivo, para cair na conta do presidente, como aconteceu com o capitão Adriano”, disse Fabrício Queiroz, em trecho de uma entrevista exclusiva ao SBT News. 

Em junho de 2020, o ex-assessor foi preso em operação conjunta do Ministério Público e Polícia Federal em um imóvel em Atibaia, no interior de São Paulo, pertencente a Frederick Wassef, advogado e amigo íntimo da família Bolsonaro. 

Na entrevista, Queiroz nega conhecer Wassef e diz que nunca viu pessoalmente o advogado. "Nunca, nunca vi o Fred (sic), não o conheço. Só pela televisão", ressaltou. 

Filho mais velho de Jair Bolsonaro, Flávio é acusado de liderar uma organização criminosa para recolher parte do salário de seus ex-funcionários em benefício próprio. A prática consiste na exigência feita a assessores parlamentares de entregarem parte de seus salários ao deputado.

O filho do presidente foi denunciado à Justiça em novembro de 2020 sob a acusação de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. Os promotores de Justiça apontaram o policial militar aposentado Fabrício Queiroz, amigo do presidente Bolsonaro e então assessor de Flávio, como operador do esquema.

Segundo a denúncia, a prática ocorria em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde exerceu o mandato de fevereiro de 2003 a janeiro de 2019. Quando o escândalo veio à tona, no final de 2018, Flávio estava eleito para uma cadeira no Senado.

Movimentações atípicas de Queiroz e as provas do Coaf

Policial Militar aposentado, Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão em sua conta de maneira considerada "atípica", de acordo com relatório do antigo Coaf (Conselho de Atividades Financeiras). 

Além do volume movimentado, chamou a atenção a forma com que as operações se davam: depósitos e saques em dinheiro vivo em datas próximas do pagamento de servidores da Alerj

Figura polêmica, Queiroz foi assessor e motorista de Flavio Bolsonaro até o fim de 2018, quando acabou exonerado. A investigação do MP-RJ que apura as irregularidades de Queiroz na Alerj chegou a ser suspensa depois da decisão de Dias Toffoli, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), após pedido da defesa de Flavio Bolsonaro em 2019.

Embora estivesse empregado no gabinete de Flávio entre 2007 e 2018, a origem da relação de Queiroz com a família Bolsonaro é o presidente da República. Os dois se conhecem desde 1984 e pescavam juntos em Angra dos Reis.

O PM aposentado também depositou R$ 24 mil na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro em 2016. O presidente afirma se tratar de parte da quitação de um empréstimo de R$ 40 mil.

STJ anulou provas e voltou investigação à estaca zero

No início de novembro, a Quinta Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu pela anulação das provas da investigação da "rachadinha" contra Flávio e devolveu a apuração ao seu estágio inicial.

Todos os atos realizados com autorização do juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal, devem ser descartados, de acordo com a decisão. As medidas tomadas sem necessidade de decisão judicial, mas por iniciativa de promotores de primeira instância, também estão sob risco.

Contudo, há documentos importantes juntados no início da apuração que permanecem válidos mesmo após a decisão dos ministros do STJ. Eles foram obtidos, em sua maioria, pela equipe do então procurador-geral do Rio, Eduardo Gussem, quando Flávio ainda era deputado estadual. Neste período, o foro foi respeitado.

Por 4 votos a 1, a Quinta Turma do STJ entendeu que o juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal do Rio, não tinha poderes para supervisionar a investigação contra o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro. 

Foi o magistrado que determinou as quebras de sigilos bancário, fiscal e telemático, buscas e apreensões e a prisão de Fabrício Queiroz, apontado como operador financeiro do esquema.

Os ministros determinaram que todas as decisões do magistrado sejam anuladas, o que invalida também as provas obtidas a partir dessa autorização.

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