Quem é Adilsinho, alvo da Operação Smoke Free que ficou conhecido por festão no Copacabana Palace durante a pandemia

Alvo da Operação Smoke Free e foragido da justiça, Adilson Coutinho Oliveira Filho, o Adilsinho, ficou conhecido em maio de 2021, após o convite de sua festa de aniversário viralizar. Com apenas 36 segundos, a gravação em preto e branco fazia alusão ao envolvido com máfia dos cigarros e trilha sonora do filme "O poderoso chefão". Imagens mostram três homens fumando charuto e bebendo num hotel luxuoso. O estilo ostentador e excêntrico não se limitou ao convite. Apesar de estar no meio da pandemia de Covid-19, Adilsinho celebrou o aniversário com uma festa para 500 pessoas no Copacabana Palace, hotel de luxo na Zona Sul do Rio.


Na ocasião, viralizaram vídeos da comemoração na internet, mostrando aglomeração e pessoas sem máscara. A entrada dos convidados aconteceu pela Avenida Nossa Senhora de Copacabana, pelos fundos do hotel, para evitar que fossem fotografados. A festa teve shows de Gusttavo Lima, Ludmilla, Alexandre Pires e Mumuzinho. A empresa da promoter Carol Sampaio foi contratada para realizar o cerimonial da festa. Pelas irregularidades, o hotel foi multado em mais de R$ 15 mil pela Secretaria de Ordem Pública (Seop).


Um mês depois, ele voltou a ser notícia. Desta vez, como alvo da Operação Fumus, realizada em junho pela Polícia Federal e pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do estado, contra um grupo de criminosos ligados a bicheiros que impõem o monopólio na venda de cigarros em vários pontos do estado. Ele teve a prisão preventiva decretada pela Justiça, mas não foi encontrado sendo considerado foragido. No entanto, no início de julho, uma liminar favorável determinou a suspensão da ação penal.

Como noticiou Lauro Jardim, Adilsinho é defendido por Eumar Novacki, ex-ministro da Agricultura no governo Temer. Ele é sócio do ex-ministro do STJ Nefi Cordeiro, que anunciou sua aposentadoria da Corte no ano passado. Conforme a movimentação processual, o peticionário do habeas corpus inclusive é um ex-assessor de Cordeiro, exonerado também em 2021 para se dedicar à advocacia.

Na época, 300 policiais federais, divididos em 60 equipes, tentaram cumprir 34 mandados de prisão — seis deles, contra policiais militares — e 75 de busca e apreensão expedidos pela 1ª Vara Criminal Especializada do Tribunal de Justiça do Rio. Entre os alvos, estavam os irmãos Adilson Coutinho de Oliveira Filho, o Adilsinho, e Cláudio Coutinho de Oliveira, primos do bicheiro Hélio Ribeiro de Oliveira, o Helinho, presidente de honra da Acadêmicos do Grande Rio, e João Ribeiro de Oliveira, um dos irmãos do contraventor.

De acordo com as investigações, Adilsinho e Cláudio chefiam o bando e tratavam o esquema como "a banca da Grande Rio", o que, segundo as investigações, demonstra ligação com a escola de samba. O rendimento mensal do grupo seria de cerca de R$ 1,5 milhão. Só desde 2019, estima-se que a quadrilha teria movimentado mais de R$ 45 milhões. Além do esquema de cigarro, o grupo teria ligação com o jogo do bicho e máquinas caça-níquel. Os alvos responderão por organização criminosa, extorsão, roubo, corrupção, lavagem de dinheiro e crimes tributários.