Quem é Angela Machado e como mulher de presidente do Flamengo se tornou diretora de responsabilidade social

A repercussão de comentários xenofóbicos contra a população do nordeste feitos por Angela Machado, diretora de responsabilidade social do Flamengo e mulher do presidente Rodolfo Landim, levaram a pedidos, dentro e fora do clube, pelo seu desligamento da função. E O GLOBO explica como ela foi parar em uma pasta que preza por trabalhos voltados aos torcedores menos favorecidos.

Leia também: Flamengo prioriza comemoração de títulos com a torcida pela orla do Rio Como o Flamengo orientou os jogadores no encontro com Bolsonaro; saiba quem apoia Lula

Angela assumiu o cargo quando Rodolfo Landim decidiu concorrer a um segundo mandato pelo clube, no ano passado. O combinado entre o casal era, após os primeiros três anos, o presidente passar o bastão para o vice Rodrigo Dunshee e ir morar fora do Brasil.

Como aceitou concorrer para manter a paz entre os próprios apoiadores e evitar a mudança dos rumos da gestão no Flamengo, Landim entregou o cargo para a mulher, que é de Sergipe, Aracaju, e tem formação em serviço social. Desta forma, ela se ocuparia da função e aceitaria ficar no Brasil.

Assim foi feito e Angela passou a tocar os projetos da pasta além de se preocupar com os cuidados com os dois filhos que têm com Landim, hoje já com 18 anos. No Flamengo, a diretoria não tem qualquer tipo de queixa em relação a funcionários, mas é vista por conselheiros como alguém que não pratica a responsabilidade social da forma mais atualizada, e sim como assistencialismo.

Pessoalmente, Angela passa boa impressão no clube, de simplicidade, inclusive na maneira de se vestir, mesmo com a fortuna da família. Ela também é sócia de uma pousada em Aracaju. Foi lá que conheceu Rodolfo Landim quando ele era funcionário da Petrobras. Casaram-se e o então executivo passou a sustentar a mulher e a família dela.

- Ela escolheu como objetivo de vida ajudar as pessoas. Ela fez formação em serviço social. Ela trabalhou a vida inteira como voluntária. Trabalhou em organizações não governamentais para ajudar pessoas. O fato de a Angela ter passado a vida trabalhando e amar o Nordeste, ela continua viajando para ver os familiares e centenas de amigos estão lá, ela sempre foi muito preocupada com o Nordeste. Vou dizer a visão política dela, de que o Nordeste nunca teve uma política que desenvolvimento sustentável. Isto traz um enorme sofrimento para ela - disse Landim ao canal do Benja, completando com a visão das pessoas do Flamengo sobre o trabalho da mulher:

- Eu diria que dentro do Flamengo, ela é uma unanimidade, pela preocupação que ela tem com cada um, por perguntar como vai cada dentro do clube. Ela é uma pessoa adorável, para quem a conhece.

Maioria nordestina

Desde que Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito presidente com ampla vantagem na região Nordeste —69% dos votos, ou 22,5 milhões —, grupos bolsonaristas vêm atacando nordestinos nas redes sociais. Entre elas, a diretora de Responsabilidade Social do Flamengo Ângela Machado, que, de forma indireta, "culpou" em uma rede social os nordestinos pela vitória de Lula.

A diretora, que é esposa do presidente Rodolfo Landim, não percebeu, no entanto, que o ataque foi direcionado a um grande contingente da torcida rubro-negra. Percentualmente, o Nordeste tem mais torcedores rubro-negros do que o Sudeste. Lá, um em cada quatro habitantes torce pelo Flamengo.

Segundo a pesquisa O GLOBO/Ipec, divulgada em julho deste ano, o peso da torcida rubro-negra é mais significativo no Nordeste, segunda região mais populosa do Brasil, com 57,6 milhões de pessoas de acordo com o IBGE. Nela, o Flamengo tem 25,2% de menções dos torcedores, algo em torno de quase 14,5 milhões.

Já no Sudeste, a região mais populosa do país, com 89,6 milhões de habitantes, segundo os dados mais recentes do IBGE, o Flamengo tem uma fatia de 19,3% pelas menções feitas na pesquisa. O clube fica atrás do Corinthians, com 21,3%. Ou seja, são pouco mais de 17 milhões de torcedores sudestinos.