'Quem é Bolsonaro sabe que existe um propósito', diz Carla Zambelli sobre centrão na Casa Civil

·2 minuto de leitura

SÃO PAULO — A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) disse neste sábado que há "resistência natural" entre os eleitores do presidente Jair Bolsonaro a indicação do senador Ciro Nogueira (PP-PI) à Casa Civil, mas os verdadeiros apoiadores do presidente não irão abandoná-lo por causa dessa decisão política.

Ciro Nogueira é um dos líderes do bloco de partidos que formam o centrão, conhecido pela troca de apoio por cargos, e já foi acusado de suspeita de corrupção na operação Lava-Jato.

Embora durante a campanha eleitoral de 2018 Bolsonaro e sua base rejeitassem aliança com o centrão, a deputada disse que nunca foi "inocente" de achar que seria possível governar sem esse apoio.

Segundo a deputada, ainda que os apoiadores do presidente tenham dificuldade de entender a nomeação do senador, eles não vão abandonar Bolsonaro porque sua gestão defende as bandeiras do conservadorismo.

— Acho que tem alguma resistência natural a qualquer pessoa que seja de fora do bolsonarismo puro. Mas quem é Bolsonaro mesmo sabe que, por mais que eventualmente não possa entender a atitude dele (presidente) agora, que existe um propósito. Todo mundo sabia que para poder governar Bolsonaro teria que dialogar com o centrão — disse Zambelli na tarde deste sábado, durante uma carreata da tradicional Marcha para Jesus em São Paulo.

Carreata para Jesus

O evento religioso começou pela manhã numa campanha de arrecadação de alimentos e teve poucas manifestações políticas num dia em que o presidente Jair Bolsonaro enfrenta protestos contra sua gestão em diversas cidades do país.

Bolsonaro já participou da marcha, mas este ano os organizadores não chamaram o presidente. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB) também não foi convidado.

Zambelli acompanhou o trio elétrico que puxou o cortejo de carros junto com o líder do ato, o apóstolo Estevam Hernandes e sua mulher, a bispa Sônia. Hernandes já votou no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas hoje apoia Bolsonaro.

Durante o evento, porém, o presidente não foi citado. Ainda assim, a bispa Sônia fez uma oração pelo país e pelas suas autoridades. Em outro momento, Hernandes pediu que "possamos ver a pandemia repreendida". O evento teve diversos carros com bandeiras do Brasil e de Israel.

Para Hernandes, ainda que o governo Bolsonaro tenha enfrentado momentos difíceis na pandemia, ele continua com forte apoio no segmento religioso.

O apóstolo frisou que o caráter do evento não é político, mas sim solidário para arrecadar alimentos num momento difícil para a população durante a pandemia.

­— A base do evangelho de Jesus é o amor, e não existe amor sem doação. Por isso, seguimos em nossa missão de ajudar aos necessitados — afirmou o Apóstolo.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos