Quem é Edson Oda, o cineasta brasileiro elogiado por Tarantino e Spike Jonze

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 10.10.2020 - Vista de sala no Espaço Itaú Cinemas da rua Augusta, em São Paulo. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 10.10.2020 - Vista de sala no Espaço Itaú Cinemas da rua Augusta, em São Paulo. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Dentro e fora das artes, muito se especula sobre a ideia do que acontece após a morte. Já o estágio de "pré-vida" é bem menos explorado —sem esquecer, é claro, da bem-sucedida animação "Soul", da Pixar.

Movido pela curiosidade sobre o tema, o brasileiro Edson Oda, que vive há quase dez anos em Los Angeles, escreveu e dirigiu seu primeiro longa-metragem, "Nove Dias", exibido agora na Mostra de São Paulo.

O filme do paulista de Mogi das Cruzes estreou mundialmente em janeiro de 2020, no Festival Sundance, e saiu de lá com o troféu de melhor roteiro. Desde então, coleciona outros prêmios e indicações em mostras de cinema.

Na trama, que se passa em uma realidade mística e indefinida, entrevistadores conversam com diferentes almas para saber qual delas merece nascer. O foco da narrativa está em um desses entrevistadores, Will, vivido pelo ator Winston Duke, de "Pantera Negra" e "Nós". Ao fim de nove dias, ele precisa escolher uma alma para ocupar um lugar que acaba de vagar, digamos, na Terra.

Entre as cinco almas que disputam essa oportunidade está Emma, vivida pela atriz Zazie Beetz, de "Coringa". Com seu jeito intenso e centrado no presente, ela faz o ensimesmado Will enxergar lados bons de sua própria existência —ele, aliás, já esteve na Terra. Will passa o dia em uma casa escura e desorganizada, que reflete seu estado interior, assistindo a seus eleitos na Terra por meio de um painel de televisões antigas.

Oda conta que conversou com muitos atores até definir o elenco. "Eu precisava sentir a empatia deles pela história. Fiquei quatro horas com o Winston e soube que era ele logo após a conversa." Questionado sobre o elenco multiétnico, ele afirma que não teria como ser diferente. "Em uma história que exemplifica a raça humana, não faria sentido nenhum ter só homens brancos. Ser consciente é obrigatório."

Ele conta que estava vivendo um período sensível quando começou a escrever o roteiro. "Eu já estava em Los Angeles havia cinco anos, tentando me encaixar ali, ainda vulnerável pela adaptação, longe da família, iniciando uma carreira nova", lembra ele, que antes trabalhava como redator publicitário em São Paulo. "Mas a ideia de falar da pré-vida já estava na minha cabeça."

Pouco antes de se mudar para estudar cinema na Universidade do Sul da Califórnia, Oda venceu um concurso de curtas para promover o filme "Django Livre", de Quentin Tarantino. O prêmio era conhecer o cineasta em San Diego. "Ele me aconselhou a escrever algo que fosse íntimo, que só eu pudesse fazer. 'Faça de um jeito que você mesmo possa filmar e não deixe o seu sonho na mão de outras pessoas'", conta o brasileiro.Na trama, que se passa em uma realidade mística e indefinida, entrevistadores conversam com diferentes almas para saber qual delas merece nascer. O foco da narrativa está em um desses entrevistadores, Will, vivido pelo ator Winston Duke, de "Pantera Negra" e "Nós". Ao fim de nove dias, ele precisa escolher uma alma para ocupar um lugar que acaba de vagar, digamos, na Terra.

Entre as cinco almas que disputam essa oportunidade está Emma, vivida pela atriz Zazie Beetz, de "Coringa". Com seu jeito intenso e centrado no presente, ela faz o ensimesmado Will enxergar lados bons de sua própria existência —ele, aliás, já esteve na Terra. Will passa o dia em uma casa escura e desorganizada, que reflete seu estado interior, assistindo a seus eleitos na Terra por meio de um painel de televisões antigas.

Oda conta que conversou com muitos atores até definir o elenco. "Eu precisava sentir a empatia deles pela história. Fiquei quatro horas com o Winston e soube que era ele logo após a conversa." Questionado sobre o elenco multiétnico, ele afirma que não teria como ser diferente. "Em uma história que exemplifica a raça humana, não faria sentido nenhum ter só homens brancos. Ser consciente é obrigatório."

Ele conta que estava vivendo um período sensível quando começou a escrever o roteiro. "Eu já estava em Los Angeles havia cinco anos, tentando me encaixar ali, ainda vulnerável pela adaptação, longe da família, iniciando uma carreira nova", lembra ele, que antes trabalhava como redator publicitário em São Paulo. "Mas a ideia de falar da pré-vida já estava na minha cabeça."

Pouco antes de se mudar para estudar cinema na Universidade do Sul da Califórnia, Oda venceu um concurso de curtas para promover o filme "Django Livre", de Quentin Tarantino. O prêmio era conhecer o cineasta em San Diego. "Ele me aconselhou a escrever algo que fosse íntimo, que só eu pudesse fazer. 'Faça de um jeito que você mesmo possa filmar e não deixe o seu sonho na mão de outras pessoas'", conta o brasileiro.

Movido por um processo de autoconhecimento, Oda voltou a se lembrar da morte de um tio, irmão de sua mãe, que cometeu suicídio quando o sobrinho tinha 12 anos. "Era um cara gentil, talentoso, saudável. Por muito tempo tivemos vergonha pelo que aconteceu, era como se ele não fosse apto a enfrentar o mundo. Comecei a pensar muito no que ele teria enfrentado. O personagem Will tem muito dele."

Com o roteiro de "Nove Dias" em processo, Oda participou do laboratório de roteiristas do Sundance Institute, em 2017, e lá pôde submeter seus escritos a diversos pareceristas atuantes no mercado. "Foram muitos os padrinhos, mas levei porrada deles também."

Quando o roteiro ficou pronto, seus agentes enviaram a produtores e tiveram respostas muito positivas. O filme circulou, foi bem cotado entre atores e produtores, até chegar a Spike Jonze, diretor de "Ela" e um dos ídolos de Oda desde os tempos na publicidade.

"Ele sempre foi uma referência pra mim e simplesmente um dia me ligou, não acreditei. Spike se emocionou com o filme, conversamos sobre os nossos processos criativos, sobre pessoas que passam por depressão, foi uma troca incrível. Três semanas depois, ele me chamou para colaborar em um projeto dele e hoje também é produtor executivo do filme."

Ansioso pela recepção brasileira, Oda conta que muitas das cenas que o protagonista vê nos televisores foram filmadas no Brasil. A trilha também está em mãos brasileiras, a cargo de Antonio Pinto, de "Central do Brasil" e "Cidade de Deus". "Tudo isso é quase um milagre. Fazer um filme, por si só, já é um milagre. Com essa produção, eu jamais poderia imaginar."

NOVE DIAS

Quando Próximas sessões presenciais: sábado (30), às 21h10, no Espaço Itaú Augusta; domingo (31), às 18h, no Espaço Itaú Frei Caneca; segunda (1º), às 16h10, no Espaço Itaú Augusta; quarta (3), às 18h30, no Espaço Itaú Frei Caneca 1

Elenco Winston Duke, Zazie Beetz, Benedict Wong, Bill Skarsgård, Tony Hale, David Rysdahl

Direção Edson Oda

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