Quem é Olena Zelenska, primeira-dama da Ucrânia no centro da cena política

Roteirista de profissão, a primeira-dama da Ucrânia, Olena Zelenska, passou dos bastidores para o centro do palco desde a invasão russa em 24 de fevereiro, fazendo sua voz ser ouvida para defender seu povo. Ao contrário de Volodymyr Zelensky, um dos atores mais conhecidos do país antes de sua eleição à Presidência em 2019, sua esposa de 44 anos relutou em ocupar cargos públicos.

No início da ofensiva russa, ela passou várias semanas escondida, mudando de um abrigo para outro enquanto as tropas de Moscou se aproximavam da capital Kiev.

A loira esbelta, de cabelos compridos e de estilo reservado surpreendeu internacionalmente quando se dirigiu ao Congresso dos EUA na última quarta-feira para pedir maior apoio ocidental à Ucrânia.

— Ajudem-nos a pôr fim a esse terror contra os ucranianos — implorou, chorando, aos representantes americanos, mostrando-lhes imagens de crianças aleijadas, quatro meses após a intervenção de seu marido por videoconferência.

Zelenska destacou ser a primeira esposa de um líder estrangeiro a discursar no Congresso, o que lhe rendeu uma ovação. No entanto, a arte da diplomacia não é natural para ela.

"Sempre fui uma personalidade não pública e não gosto da atenção extra que recebo", disse ela à revista francesa Elle alguns meses antes da invasão.

— Em dois anos e meio como primeira-dama, muitas coisas mudaram para mim. Estou ciente de que o destino me dá uma oportunidade única de me comunicar com as pessoas — acrescentou.

Formada em Arquitetura, Olena Kiachko, seu nome de solteira, cresceu em Kryvy Rig, no centro da Ucrânia, de onde também vem o marido.

O casal se conheceu aos 17 anos, e sua amizade se transformou em romance quando começaram suas carreiras na indústria do entretenimento, ele como comediante e ela escrevendo suas piadas.

Eles se casaram em 2003, antes de se mudarem para Kiev, onde ela deu à luz Oleksandra, agora com 17 anos, e seu irmão mais novo Kyrylo, 9.

Desconhecida do público na época da eleição de seu marido, Olena Zelenska afirmou em entrevistas que seu marido não a avisou quando decidiu concorrer à Presidência. Ela descobriu como todo mundo nas redes sociais e achou difícil apoiá-lo em eventos oficiais no início de seu mandato.

"Ela é uma pessoa que sabe cumprir seu dever", explica Anna Chapligina, especialista em etiqueta. "Não como Michelle Obama", muito confortável sob os holofotes, mas mais como "Kate Middleton em seus primeiros dias" na família real, compara.

— Ela nunca sonhou ou aspirou a se tornar primeira-dama. Ela se encontrou lá por acaso e em meio a uma crise planetária — resume Chapligina à AFP.

Quando foi dormir em 23 de fevereiro, um dia antes da invasão, Zelenska nunca imaginou que não dormiria ao lado do marido por vários meses.

Embora Zelensky estivesse determinado a não fugir das forças russas, sua esposa se escondeu com as crianças, suspendendo suas campanhas por melhores refeições escolares e pela promoção da língua e cultura ucranianas no exterior.

"Não vou entrar em pânico e chorar. Estou calma e confiante", garantiu ela a seus compatriotas em uma mensagem postada no Facebook naquele dia.

Nas semanas que se seguiram, a família só pôde ver Zelensky em suas aparições nas redes sociais e na mídia.

O retorno de Zelenska à cena ocorreu em uma reunião com a primeira-dama dos EUA, Jill Biden, no Oeste da Ucrânia, em 8 de maio.

Desde então, a ucraniana cumpre tanto sua agenda de contatos com as esposas dos líderes quanto seus discursos e entrevistas.

Nos Estados Unidos, ela chocou os legisladores com imagens de Liza Dmitrieva, uma garota que ela conhecia que foi morta em um ataque russo na semana passada em Vinnytsia, no centro da Ucrânia.

Para Aliona Guetmantshuk, diretora do New Europe Center — um centro de estudos em Kiev —, o toque pessoal de Zelenska ajuda a "reforçar a mensagem" sobre a situação crítica em que seu país se encontra.

— Fala sobre necessidades humanitárias, que é um tema comum para uma primeira-dama, mas também mostra que, no caso da Ucrânia, mais ajuda militar significa mais vidas salvas.

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