Quem é Ramiro Caminhoneiro, preso em operação da PF contra golpistas dos atos no DF

Um dos oito alvo da operação da Polícia Federal (PF) desta sexta-feira, que busca identificar os participantes e financiadores dos ataques realizados nas sede dos Três Poderes em Brasília, Ramiro Alves Da Rocha Cruz Junior, conhecido com Ramiro dos Caminhoneiros, está entre eles. Ramiro é citado em depoimento de diversos outros presos como sendo um dos organizadores e incentivadores dos atos do dia 8.

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Ele esteve em Brasília e, após o desmonte do acampamento golpista no QG do Exército, chegou a visitar detidos no ginásio da PF em que eram mantidos. Ele disse que conseguiu entrar no local "miraculosamente".

Em postagens recentes em seu perfil no Instagram, com quase 70 mil seguidores, Ramiro dos Caminhoneiros incita a participação nos acampamentos antidemocráticos instalados nas portas de unidades militares desde a eleição do presidente Lula, no ano passado. Através de "lives", pede doações via PIX para um telefone com DDD 011 (São Paulo).

Dias após a prisão realizada no QG do Exército, em Brasília, voltou ao local e tentou realizar uma live mostrando como estava o espaço após a desmobilização, mas foi logo interrompido por um militar. Em outra publicação, escreveu "vencemos no domingo, perdemos na segunda", se referindo aos ataques as sedes do Congresso, do Superior Tribunal Federal (STF) e Palácio do Planalto.

Candidato a deputado federal pelo PL de São Paulo no último pleito, Ramiro se apresenta nas redes sociais como "um patriota a serviço do transporte". De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral, ele recebeu R$ 150,9 mil em recursos na última campanha. Em março de 2022, publicou sua filiação ao PL, ao lado do presidente estadual da sigla e de Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente. Em 2018, também concorreu a deputado federal pelo PSL, sigla pela qual Bolsonaro se elegeu presidente à época.

Ainda no domingo, dia 8 de janeiro, circulava a informação de que Ramiro forneceria 20 mil ônibus para viagens a Brasília. Em seu perfil, o ex-candidato desmentiu a informação, e disse que os veículos seriam cedidos por um "empresário do Agro da Amazônia".

Nos vídeos, o bolsonarista espalha falsas informações sobre os detidos em Brasília. "Não foi uma pessoa que morreu lá, foram quatro pessoas", disse em uma postagem sobre uma fake news amplamente divulgada em grupos bolsonaristas de que pessoas haviam morrido no ginásio da PF.