“Quem agride um LGBTI+, agride pelo ódio”, afirma ativista

“Quem agride um LGBTI+, agride pelo ódio”, afirma ativista

Nesta quinta-feira (23), acontece a retomada da ação que pede a criminalização da homofobia no STF (Supremo Tribunal Federal). O julgamento vem reacendendo o debate sobre tipificar o crime em que um LGBTI+ é atacado por ser quem é. Segundo Agripino Magalhães, ativista da Aliança Nacional LGBTI+, é importante que a lei seja aprovada.

“Eu sempre falo que vamos ter algum respeito e um pouco de direito quando tivermos educação nas escolas para mostrar o que é diversidade e que somos pessoas, que somos gente”, diz afirmando que, enquanto isso não acontece, é importante que a polícia possa enquadrar o crime de homofobia.

“Hoje, no Brasil, temos a lei do feminicídio e também temos a lei do racismo e, se alguém desrespeitar, têm essas leis para coibir. Não temos uma lei que possa punir o indivíduo que agrediu pelo ódio. Quem agride um LGBTI+, agride pelo ódio que sente”, explica o ativista.

Magalhães diz que, muitas vezes, quando um LGBTI+ procura uma delegacia para denunciar uma agressão que sofreu, o crime acaba sendo colocado como agressão física, agressão moral, ou discussão, por exemplo.

Ele cita um episódio em que viu um homem xingar outro em uma fila de padaria. O motivo seria o fato de a vítima ter cabelos longos. De acordo com Magalhães, a vítima não era gay, era roqueiro e tinha o cabelo comprido.

Para ele, a lei também protegeria pessoas que estão fora do “padrão” estipulado pela sociedade de como um homem ou uma mulher deveriam se comportar. “Aí chega na delegacia e diz que foi uma coisa fútil. Mas foi uma discussão motivada pelo ódio, por outro indivíduo achar que tem o direito de mandar em alguém”, ilustra o ativista.

Dizendo que a luta pela criminalização da homofobia acontece há décadas, Magalhães lembra do caso em que Luís Alberto Betonio foi agredido por Jonathan Lauton Domingues com uma lâmpada em plena avenida Paulista. “Aí o cara me agride gratuitamente, sem nem me conhecer, e a pessoa vem dizer que não existe ódio?”, questiona.

“Essa lei é muito importante para dizer que, se a partir de hoje você me agredir pelo seu ódio, você vai responder pelo seu ódio. Não queremos uma lei para simplesmente ter privilégios. Queremos para, quando alguém nos agredir, pelo menos, chegar na delegacia sabendo que ele vai responder pelo crime”, afirma Magalhães.