Quem compartilha fake news sobre Auxílio-Reclusão não sabe o que está dizendo

Photo taken in Bogotá, Colombia
Foto: Getty Creative

Com ajuda de bolsonaristas como Regina Duarte e Carlos Jordy, ganhou tração nas redes sociais, nos últimos dias, uma notícia falsa segundo a qual o Auxílio-Reclusão teria passado a pagar R$ 1.754,18 por apenado – um valor acima do salário mínimo (hoje de R$ 1.302).

A fake news, que “culpava” Lula pela mudança inexistente, foi compartilhada em tom de alarde, inclusive por advogados.

A corrente levou a advogada Ariane Maria Blum, especialista em direito previdenciário, a gravar uma série de vídeos, em uma rede social, para esclarecer a confusão.

Ela disse ser triste ver colegas de profissão espalhando desinformação. “Sei que pouca gente se interessa por direito previdenciário, mas não custa pesquisar”, disse.

A especialista afirma que o tom das postagens, que chamam o direito de “Bolsa-Bandido”, dá a entender que “todo mundo quer ser preso” para ter acesso ao Auxílio-Reclusão, como se a pessoa apenada tivesse uma conta bancária dentro do presídio com cartão magnético para sacar dinheiro quando quiser.

“Muita gente acha que Auxílio-Reclusão é um benefício pago a pessoas em situação de cárcere, um auxílio mensal, e não é nada disso. É um benefício previdenciário, e não assistencial. Para ter acesso a ele é preciso preencher uma série de requisitos para a família receber o auxílio”, explica.

Entre esses requisitos estão a contribuição em dia para a Previdência Social e possuir uma média mensal de rendimentos familiares de até R$ 1.754,18 (daí a confusão) para que seus integrantes sejam considerados em situação de vulnerabilidade social e possam receber um valor de no máximo um salário mínimo ao mês durante o cumprimento da pena.

“Quem recebe esse salário mínimo é o dependente do segurado porque ele vai deixar de contribuir para a rotina da casa. A pessoa tem filhos, pais, irmãos, esposa ou marido e uma situação dessas vai fazer falta no orçamento familiar. Se ela contribui para a Previdência, esse valor fica disponível”, conclui.

Como sempre, fica difícil entender como uma fake do tipo, tão fácil de ser desmentida com uma simples busca, pode ser compartilhada por formadores de opinião e alcançar tanta gente. Seria má-fé, ignorância ou as duas coisas?