Líder indígena atacado por Bolsonaro compõe grupo que subiu a rampa do Planalto com Lula

Raoni Metuktire é liderança dos kayapó, um povo nômade da Amazônia, e denunciou o agora ex-presidente por crimes contra a humanidade

Brazil's new President Luiz Inacio Lula da Silva (L) stands with indigenous Brazilian leader and environmentalist Raoni Metuktire, known as Chief Raoni after receiving the presidential sash from him and other community representatives, at Planalto Palace after his inauguration ceremony at the National Congress, in Brasilia, on January 1, 2023. - Lula da Silva, a 77-year-old leftist who already served as president of Brazil from 2003 to 2010, takes office for the third time with a grand inauguration in Brasilia. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Lula e Raoni Metuktire na cerimônia de posse do petista, em 1° de janeiro de 2023 (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

O líder indígena Raoni Metuktire, de 93 anos, atacado por Jair Bolsonaro (PL) durante o seu governo, participou do grupo que subiu a rampa do Palácio do Planalto ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O momento ocorreu durante a cerimônia de posse do petista, na tarde deste domingo (1°).

O cacique estava ao lado de Lula, da primeira-dama Janja, da cachorra Resistência e demais representantes da diversidade do povo brasileiro - o pequeno Francisco, de 10 anos, morador de Itaquera; a catadora Aline Souza, de 33 anos, responsável por repassar a faixa presidencial ao petista; o metalúrgico Wesley Rocha, de 36 anos; o professor Murilo Jesus, de 28 anos; a cozinheira Jucemira Santos; o ativista anticapacitismo Ivan Baron; e o artesão Flávio Pereira, de 50 anos.

De acordo com o UOL, Raoni é considerado um defensor emblemático da Amazônia, que denuncia há mais de três décadas as ameaças sofridas pelos povos amazônicos por conta do desmatamento.

Chama atenção em seu rosto um grande disco labial, que é o simbolismo de um guerreiro que está disposto a morrer defendendo sua terra. Ele também usa cocar de penas amarelas. O cacique é líder dos kayapó, um povo nômade da Amazônia.

Mesmo com idade avançada, ele continuou combatendo as ameaças ambientais dos últimos anos durante o governo Jair Bolsonaro, a quem fez forte oposição e criticou o aumento das taxas de desmatamento.

Ainda segundo o portal, Raoni chegou a pedir que o Tribunal Penal Internacional investigasse Bolsonaro por "crimes contra a humanidade", ao acusar o ex-presidente de perseguir os povos indígenas, destruir seu hábitat e ignorar seus direitos.

Neste ano, em setembro, o cacique foi submetido a um procedimento cirúrgico por conta de uma arritmia e passou a usar marcapasso. Ele chegou a ser hospitalizado duas vezes em 2020, uma delas por conta da Covid-19.