Quem é Milton Ribeiro, pastor e ex-ministro do MEC preso

Milton Ribeiro foi o quarto ministro da Educação do governo Bolsonaro (EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Milton Ribeiro foi o quarto ministro da Educação do governo Bolsonaro (EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
  • Milton Ribeiro foi preso na manhã desta quarta-feira, alvo de operação da Polícia Federal

  • Ele foi o quarto ministro da Educação do governo de Jair Bolsonaro (PL) e contava com a confiança do presidente

  • Ribeiro acumulou polêmicas e crises nos dois anos em que esteve à frente da pasta

Milton Ribeiro foi preso na manhã desta quarta-feira (22), após ser um dos alvos de uma operação da Polícia Federal contra suspeitos de operar um balcão de negócios no Ministério da Educação e na liberação de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

O pastor, teólogo e advogado foi ministro da Educação do governo de Jair Bolsonaro (PL) de por quase dois anos, até ser investigado justamente por suspeitas de lobby de pastores evangélicos na pasta.

Apesar do inquérito e das crises enfrentadas, Ribeiro contava com apoio e confiança de Bolsonaro. Em março, o presidente chegou a dizer que "colocaria a cara no fogo" pelo aliado.

Naquele mesmo mês, porém, o ministro deixou o cargo, sendo substituído por Victor Godoy Veiga, que segue no cargo.

Trajetória do ex-ministro

Pastor na Igreja Presbiteriana, teólogo e advogado com doutorado em educação, Milton Ribeiro foi o quarto ministro da Educação do governo Bolsonaro. Ele construiu uma carreira juntando religião e pedagogia e estava à frente da pasta desde julho de 2020, período no qual colecionou polêmicas e crises.

Ribeiro tem 64 anos e é membro do Conselho Deliberativo do Instituto Presbiteriano Mackenzie, mantenedora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, da qual foi vice-reitor e reitor em exercício, entre os anos de 2000 e 2003. Ele é pastor na Igreja Presbiteriana Jardim de Oração de Santos, no litoral de São Paulo.​

Segundo seu currículo acadêmico na plataforma Lattes, Ribeiro é graduado em Teologia e Direito, fez mestrado em Direito e doutorado em Educação — essa última formação pela Universidade de São Paulo, em 2006. Sua tese de doutorado é sobre os valores, princípios e doutrinas calvinistas e sua relação com a educação no Brasil.

Ainda em seu currículo ele afirma ter sido responsável por 38 cursos de especialização e cinco cursos de extensão na universidade. Além disso, também é diretor da instituição Luz para o Caminho, que cuida da relação da Igreja Presbiteriana do com a mídia.

O pastor foi o quarto ministro da Educação a assumir o posto, após as gestões de Ricardo Vélez Rodríguez, Abraham Weintraub, e a passagem relâmpago do economista Carlos Decotelli. Milton Ribeiro já havia sido nomeado por Bolsonaro, em maio de 2019, para a Comissão de Ética Pública, ligada à Presidência da República.

Segundo publicou O GLOBO na época, Ribeiro teve seu nome levado a Bolsonaro pelo então ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência do Brasil, Jorge Oliveira. Seu nome também foi encampado pelo então titular da Justiça e atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que também é pastor presbiteriano.

Como titular da pasta, Milton Ribeiro colecionou frases controversas que foram amplamente criticadas, além de crises de gestão no MEC que provocaram debandadas em entidades da pasta.

Em setembro de 2020, Ribeiro fez declarações homofóbicas relacionando a homossexualidade a famílias desestruturadas. "Acho que o adolescente, que muitas vezes, opta por andar no caminho do homossexualismo (sic), tem um contexto familiar muito próximo, basta fazer uma pesquisa. São famílias desajustadas, algumas. Falta atenção do pai, falta atenção da mãe", disse. A fala fez a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciá-lo ao STF por crime de homofobia.

No ano passado, Ribeiro declarou que a "universidade deveria, na verdade, ser para poucos". Além disso, afirmou que, quando um aluno com deficiência é incluído em salas de aula comuns, ele não aprende e ainda "atrapalha" a aprendizagem dos colegas.

Também no ano passado, há menos de três semanas da aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), 37 servidores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela prova, entregaram seus cargos numa demissão em massa da entidade. Eles justificaram a saída pela "fragilidade técnica e administrativa da atual gestão máxima" do órgão, além de mencionaram episódios de assédio moral.

Após o episódio dos servidores do Inep relataram uma tentativa de interferência na montagem do Enem. Alguns profissionais acusaram o órgão subordinado a Ribeiro de praticar pressão e vigilância para que evitassem escolher questões polêmicas na prova que eventualmente poderiam incomodar Bolsonaro.

com informações do jornal Extra