Quem é 'Pelado', único suspeito de envolvimento no desaparecimento de Dom e Bruno

Amarildo da Costa Oliveira, de 41 anos, o 'Pelado' foi preso por porte de drogas e munição de uso restrito. (Foto: REUTERS/Bruno Kelly)
Amarildo da Costa Oliveira, de 41 anos, o 'Pelado' foi preso por porte de drogas e munição de uso restrito. (Foto: REUTERS/Bruno Kelly)
  • Amarildo da Costa Oliveira foi preso por outro motivo, mas polícia encontrou sangue em sua lancha

  • Testemunhas relatam histórico de ameaças de 'Pelado' a Bruno Pereira

  • Suspeito também pode ser autor de outros ataques a servidores da Funai

Até o momento, o pescador Amarildo da Costa Oliveira, de 41 anos, é o único suspeito oficial de envolvimento no desaparecimento do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips. Conhecido como “Pelado”, foi preso no dia 7 de junho por posse de droga e de munição de uso restrito.

Na prisão, a polícia apreendeu sua lancha, onde foram encontrados vestígios de sangue, o que levantou suspeita sobre seu envolvimento no caso dos desaparecidos.

Além disso, segundo testemunhas, no domingo (5), dia que a dupla foi dada como desaparecida, “Pelado” foi visto passando de lancha atrás da embarcação do jornalista e do indigenista, no trajeto de rio que separa a cidade de Atalaia do Norte e a comunidade de São Rafael, no Amazonas, onde eles foram vistos pela última vez.

Em seu depoimento, Amarildo negou estar envolvido com o caso. Ele está com uma prisão preventiva, de 30 dias, decretada desde a última quinta-feira (9). Ainda não há resultado da perícia de sua lancha.

Ameaças a Bruno

Testemunhas também relataram à polícia que “Pelado” já havia ameaçado diversas vezes Bruno Pereira e lideranças indígenas no Vale do Javari.

O mesmo foi denunciado por um amigo do indigenista, que não quis se identificar. Na última sexta-feira (10), ele contou que Bruno sofreu ameaças de Amarildo um dia antes de desaparecer. Eles cruzaram com o suspeito e outros dois homens em seu trajeto.

"Os dois [que acompanhavam Amarildo] levantam a arma para cima, não apontando, mas sim mostrando a arma, dizendo que ali eles estavam presentes, tentando nos intimidar. O 'Pelado' estava com uma cartucheira em sua cintura, com praticamente 30 cartuchos de calibre 16. Nesse momento, o Bruno levanta e dá um bom dia", disse.

Segundo o amigo, Bruno fotografou os homens, mas as fotos ainda não foram encontradas. Ainda segundo ele, Amarildo chegou a atirar contra eles em janeiro.

"A gente vinha subindo a margem do rio, e infelizmente, na hora que a íamos passando o Bruno pediu para bater umas fotos e foi bater foto da região. Parece que ele [o Amarildo] não gostou mesmo. Aí nós viramos de costas, e escutamos um tiro. Eu falei 'Bruno, é tiro'. E ele respondeu 'é, manda ele atirar de novo'".

Envolvimento com outros casos

Amarildo tem um histórico de envolvimento em conflitos na região. Ele é suspeito de ser um dos autores do vários atentados com arma de fogo à Base de Proteção da Funai, no Vale do Javari, que ocorreram entre 2018 e 2019. Na época, os ataques foram atribuídos a caçadores e pescadores ilegais.

A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Unijava) divulgou que o suspeito foi visto, acompanhado de outras quatro ou cinco pessoas, pescando na região no dia 3 de abril. “Eles estariam de canoa pequena, no lago do Bananeira, na margem direita do rio Ituí, pescando peixe liso e pirarucu", descreve o documento. A pesca não é permitida no local.

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