Quem é Ricardo Barros, escolhido por Bolsonaro como líder do governo na Câmara

Ana Paula Ramos
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Deputado desde 1995, Ricardo Barros também foi relator de projeto considerado "anti-Lava Jato" (Photo MIGUEL SCHINCARIOL/AFP via Getty Images)
Deputado desde 1995, Ricardo Barros também foi relator de projeto considerado "anti-Lava Jato" (Photo MIGUEL SCHINCARIOL/AFP via Getty Images)

Escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para assumir a liderança do governo na Câmara, o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) está na sexta legislatura e foi ministro da Saúde no governo de Michel Temer.

Uma das principais lideranças do Centrão, grupo de partidos que costumam se adaptar aos governos, independente da ideologia, Barros já foi líder na Câmara quando Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ocupou a Presidência da República e vice-líder nas gestões dos petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Roussef, além do próprio Bolsonaro.

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Formado em engenharia civil, Barros é filho do ex-prefeito de Maringá e ex-deputado Silvio Magalhães Barros. O novo líder é casado com Cida Borghetti (PP), governadora do Paraná entre abril e dezembro de 2018. Eleita vice na chapa do ex-governador Beto Richa (PSDB), ela assumiu o comando do Estado quando o titular renunciou para se candidatar ao Senado e foi derrotado.

No ano passado, Ricardo Barros chegou a concorrer à presidência da Câmara e foi derrotado por Rodrigo Maia (DEM-RJ). Sua principal plataforma de campanha era a proteção de “garantias” dos deputados, que estariam ameaçadas pela Operação Lava-Jato.

Em 2019, ele foi denunciado ainda pela Procuradoria da República no Distrito Federal em ação por improbidade administrativa relacionada ao período em que foi ministro de Temer.

O Ministério Público aponta irregularidades na compra de medicamentos destinados ao tratamento de doenças raras pela pasta. Segundo a denúncia, o então ministro fez pressão para que houve pagamento antecipado no valor de R$ 19 milhões pela entrega de lotes do produto a uma empresa. O valor foi repassado em novembro de 2017, mas a entrega não foi feita. O caso ainda não foi julgado.

Em nota, Barros negou qualquer irregularidade na contratação.

Na esfera eleitoral, o TRE do Paraná, em outubro de 2019, decidiu cassar mandato do deputado federal por compra de votos na eleição de 2018, em um jantar de campanha. A decisão foi anulada em janeiro deste ano, mas ele ainda não se livrou da ação apresentada pelo Ministério Público Eleitoral. O caso será analisado agora pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Barros também foi relator da chamada Lei de Abuso de Autoridade, que prevê punições a agentes públicos em uma série de situações e foi considerada uma reação da classe política às operações recentes contra corrupção, como a Lava Jato.

CENTRÃO

A indicação representa mais um gesto de aproximação do Palácio do Planalto com o Centrão. Barros assumiu no lugar do deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), aliado fiel do presidente, mas parlamentar de primeiro mandato, por isso é visto como inexperiente e sofre rejeição por parte dos colegas.

A nomeação não agradou o líder do PP na Câmara, Arthur Lira (AL), que vinha desempenhando, informalmente, o papel de articulação política do governo na Câmara.