Quem é Simone Tebet, senadora que conseguiu o depoimento de Miranda na CPI da Covid

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Simone Tebet em sessão da CPI da Covid. Foto: Reprodução
Simone Tebet em sessão da CPI da Covid. Foto: Reprodução
  • Senadora finalmente fez depoente revelar nome de Barros, que atuou no esquema da Covaxin

  • Ela é possível pré-candidata à presidência pelo MDB

  • “O momento agora é falar da pandemia e de vacina no braço”

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) foi destaque na sessão desta sexta-feira (25) da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, durante o depoimento dois irmãos Miranda.

Uma das principais da revelação da CPI na sessão – e até agora, considerando todas as sessões – foi ela que conseguiu o nome do líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR). O parlamentar teria articulado para que fosse possível a negociação irregular da vacina indiana Covaxin.

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No relato de Luis Miranda (DEM-DF) à CPI, Miranda contou que ele e o irmão, Luis Ricardo Miranda, que é servidor do Ministério da Saúde, avisaram o presidente Bolsonaro de irregularidades na negociação do imunizante indiano. Em resposta, o presidente teria dito que o “rolo seria coisa do...”, sem revelar, em um primeiro momento, o nome de Barros.

O nome de Barros só veio à tona após pressão da senadora Simone Tebet. Antes, ele disse doze vezes que não sabia o nome do deputado citado por Bolsonaro.

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Ex-bolsonarista e aliado do governo, Luís Miranda foi depor vestindo um colete à prova de balas, levando uma Bíblia e seu irmão, funcionário concursado do Ministério da Saúde, para atestar seu relato.

Ele afirmou que avisou o presidente e seu o ministro da Saúde Eduardo Pazuello sobre o suposto esquema. De acordo com Miranda, Bolsonaro respondeu afirmando que acionaria a Polícia Federal – o que não aconteceu – mas pediu que Miranda não interferisse nas ações de Barros. Já Pazuello teria se mostrado decepcionado e declarou que em breve deixaria seu cargo.

Após a sessão, Simone comentou o caso e afirmou que vê evidências de crime gravíssimo. “São tantos os crimes que chega no final em crime de organização criminosa, só que aí tem algo mais. O que os irmãos Miranda estão falando é que chegaram na autoridade máxima do país e disseram a ele que tem fortes e gravíssimos indícios de corrupção. Ao invés de se buscar investigar, colocou tudo para debaixo do tapete. Agora que está se falando que vai levar para os órgãos de controle".

Quem é a senadora Simone Tebet

A senadora Simone Tebet é advogada, formada em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ocupa desde 2015 o cargo de senadora pelo Mato Grosso do Sul (MS), mas sua vida política começou mais cedo, em seu estado.

Entre 2011 e o ano que assumiu a cadeira no Senado, Simone foi vice-governadora do MS na gestão de André Puccineli. Antes, foi prefeita da cidade de Três Lagoas, onde nasceu, eleita em 2004 e depois reeleita em 2008. Simone também atuou como deputada estadual entre 2003 e 2005. Ela também é conhecida por ser filha do ex-senador e presidente do Senado, Ramez Tabet, que já faleceu.

Além do cargo como senadora, Simone foi a primeira mulher presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e é atualmente líder da bancada feminina da casa, que é formada pelas senadoras do Congresso Nacional.

Em 2021, a senadora, sem apoio de seu partido para a presidência do Senado, lançou candidatura independente e recebeu apenas 21 votos.

A confiança do partido em Simone, no entanto, parece ter mudado com a atuação expressiva que ela tem tido nas sessões da CPI da Covid. De acordo com a própria senadora, seu nome está crescendo dentro do MDB como possível pré-candidatura do partido à presidência da República em 2022. O MDB quer propor uma terceira via em relação à Bolsonaro e Lula no ano que vem.

Ela disse, no entanto, que este não é seu objetivo na vida política. “Eu sou a princípio pré-candidata à reeleição. E há sim, dentro do partido aqui buscando unir a favor de uma terceira via. Dentro disso eu apareço forte como presidente da República. Não é a minha intenção, não é a minha vontade. Quero continuar atendendo o Mato Grosso do Sul no Senado, mas está crescendo fortemente isso no partido. No entanto, o momento agora é falar da pandemia e de vacina no braço”, disse a senadora.

O caso da compra da Covaxin

Depois da revelação de Luis Miranda de que o presidente Bolsonaro possivelmente sabia das irregularidades da compra da vacina indiana Covaxin, o caso passou a ficar mais sério.

De acordo com o Ministério da Saúde, o contrato entre governo federal e a empresa que supostamente estava intermediando a compra com a fabricante indiana Bharat Biotech, a Precisa Medicamentos, foi assinado no dia 25 de janeiro. No acordo estava prevista a compra de 20 milhões de doses de Covaxin, culminando em um investimento total de R$ 1,614 bilhão.

A previsão da pasta era que as primeiras oito milhões de doses chegassem ao Brasil já no mês de março, em dois lotes de 4 milhões a serem entregues entre 20 e 30 dias após a assinatura do contrato", o que não se concretizou.

Ainda em março, no dia 31, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) rejeitou o pedido de importação da vacina, alegando não ser possível comprovar a eficácia nem a segurança do imunizante. A agência afirmou também que havia informações conflitantes nos documentos apresentados em relação ao prazo de validade.

A importação da Covaxin só foi ser aprovada pela Anvisa no dia 4 de junho, mas com restrição: ela não poderia ser aplicada pessoas grávidas, lactantes, pessoas com HIV, hepatite B ou C, entre outras condições.

Também foi levantado um debate em torno do preço pago pelas doses. O valor de US$ 15 por dose é o maior negociado pelo governo brasileiro na compra de vacinas. As empresas Precisa Medicamentos e Bharat Biotech, no entanto, garantem que o preço é o mesmo praticado em na venda da Covaxin para outros 13 países.

De acordo com documentos enviados pelo Ministério das Relações Exteriores à CPI da Covid, o valor final é 1000% mais caro que o inicialmente cotado pelo Brasil junto a executivos indianos por meio de telegramas enviados à pasta.

Outro ponto importante é o tempo que levou a negociação entre o governo brasileiro e as empresas, que foi de três meses. As negociações com a Pfizer, por exemplo, duraram mais de 11 meses, sem emails respondidos e culminou em contratos mais vantajosos para o Brasil. No primeiro, cada dose da Pfizer sairia por US$ 10 e no segundo, por US$ 12.

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