Quem foi a primeira deputada federal do Brasil? Descubra

Imagem histórica mostra como espaços de poder eram desiguais. Foto: Reprodução

Apesar de ainda pouco representadas nos espaços de poder, as mulheres, hoje em dia, já conseguiram avançar e muito nesse sentido. Mas, historicamente, as mulheres demoraram muito para terem a oportunidade de serem eleitas e representarem o povo.

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A primeira mulher eleita deputada federal no Brasil foi a médica Carlota Pereira de Queirós. Nascida em 13 de fevereiro de 1892, ela foi eleita em maio de 1933, abrindo espaço para que tantas outras mulheres pudessem sonhar com o tipo de cargo.

Ela teve sua educação toda voltada para que ela fosse uma dona de casa, no máximo, para que fosse uma professora. Mas, ela mudou de vida quando decidiu que iria cursar medicina aos 28 anos.

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Formada em medicina em 1926, ela chegou a receber um prêmio pela sua obra. Durante o período, ela elaborou uma tese sobre estudos sobre o câncer e se tornou especialista em hematologia.

Além disso, ela foi chefe do laboratório de clínica pediátrica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Sua grande influência na área, fez com que ela fosse para a Suíça para estudar sobre dietética infantil.

De família influente, ela era neta de um proprietário de terras do interior de São Paulo que também foi um dos fundadores do jornal A Província de São Paulo. Outro avô de Carlota era líder regional de Lorena. A mãe de Carlota era de família católica e o pai era político. Ele, no entanto, era ateísta.

Ela também esteve à frente de 700 mulheres que davam assistência para feridos durante a revolução de 1930. O que só abriu portas para sua eleição para a Assembleia Nacional Constituinte.

Em sua nova posição, ela fez parte da Comissão de Saúde e Educação. Uma de suas bandeiras era a alfabetização e assistência social e foi ela que criou o projeto que deu origem aos serviços sociais.

Carlota fazia questão de levar a voz das mulheres para dentro dos ambientes de poder e tinha consciência da sua representatividade dentro da política. Em um discurso feito em março de 1934, ela disse que ocupar o lugar que estava era fruto de uma evolução da sociedade.

Mesmo assim, ela rejeitava o título de feminista. Isso fez com que ela tivesse alguns desafetos dentro da luta por direitos iguais entre homens e mulheres. Ela preferia se posicionar publicamente dizendo que era grata à oportunidade que vivia.

Contudo, ela não pode ser considerada uma antifeminista. Na intimidade, estudiosos da história dela já afirmaram que ela reconhecia que existia algum tipo de preconceito dentro do ambiente de poder.

Ela continuou seus trabalhos até 1937, quando foi instaurado o Estado Novo (período em que aconteceu a ditadura de Getúlio Vargas). Mesmo assim, ela continuou sua militância e, durante esse período, ela lutou pela volta da democracia.

Em 1942, ela foi eleita membro da Academia Nacional de Medicina e fundou a Academia Brasileira de Mulheres Médicas. Em 1964, ela apoiou o golpe que derrubou João Goulart e instituiu a ditadura militar no Brasil. Em 1982, ela faleceu em São Paulo, aos 90 anos.

Durante duas semanas, o blog irá falar sobre as situações enfrentadas diariamente por mulheres que estão dentro da política e lembrar aquelas que abriram espaço para as políticas de hoje. A série de matérias especiais começou nesta segunda-feira (5) e irá acabar no dia 16 de agosto.