Quem ganha mais? Veja as desigualdades de remuneração no Brasil

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Mas afinal, como operam as desigualdades salariais e quais os seus efeitos?. Getty Images
Mas afinal, como operam as desigualdades salariais e quais os seus efeitos?. Getty Images

No Brasil, as desigualdades de diversos tipos são uma triste realidade na vida de boa parte da população. Nesse quesito, o país é um dos mais desiguais do mundo. Em 2020, durante os piores momentos da pandemia do coronavírus, o Brasil seguiu uma tendência mundial: a concentração de renda aumentou e atingiu o pior nível desde 2000. No ano passado, quase metade (49,6%) da riqueza do país foi parar nas mãos do 1% mais rico. O mesmo índice era de 46,9% em 2019.

Além dos abismos sociais causados pela concentração de renda, as disparidades por aqui se estendem a outros segmentos e um dos mais afetados é quanto aos salários pagos e a diferença de remuneração entre homens e mulheres, negros e brancos, pessoas com ensino superior e pessoas que estudaram até o ensino médio. Mas afinal, como operam as desigualdades salariais e quais os seus efeitos?

  1. Disparidade salarial entre homens e mulheres

  2. Disparidade salarial entre negros e brancos

  3. Disparidade salarial entre graduados e não graduados

Disparidade salarial entre homens e mulheres

Em março deste ano, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dados que escancararam a realidade da disparidade salarial de gênero. De acordo com a publicação, em 2019 as mulheres recebiam 77,7% do salário dos homens. Entre os cargos com maiores salários, como diretoria e gerência, a diferença é ainda maior. 

Mulheres que ocupam cadeiras de liderança ganham 61,9% do salário dos homens que ocupam esses mesmos cargos. À medida que a trabalhadora ocupa cargos mais altos na hierarquia das organizações, maior será a disparidade salarial de gênero. Além disso, a pesquisa apontou que a maior desigualdade salarial está na região sudeste, e que, apesar da disparidade, mais mulheres possuem Ensino Superior.

Já para o período entre 2016 e 2018, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) concluiu que, homens brancos com ensino superior concluído em instituição pública recebeu salário médio de R$ 7.891,78 enquanto as mulheres brancas na mesma função receberam R$ 4.739,64, ou seja, os homens receberam 64% a mais.

Medidas legislativas foram criadas para tentar combater a diferença salarial entre homens e mulheres. O Projeto de Lei da Câmara (PLC) 130/2011 prevê multa (em favor da trabalhadora) equivalente a cinco vezes o valor das diferenças salariais constatadas durante o período de contratação.

Disparidade salarial entre negros e brancos

Em 2019, a disparidade salarial entre negros e brancos alcançou o maior patamar desde 2016. De acordo com pesquisa divulgada pelo IBGE, a renda média mensal de pessoas negras equivale a 55,8% em relação à renda mensal de pessoas brancas. Falando em valores, isso significa que o rendimento médio dos negros é de R$ 1.673 enquanto dos brancos é de R$ 2.999.

Durante a pandemia, a diferença salarial atingiu novos números que se tornaram os maiores até então registrados. O abismo salarial brasileiro entre brancos e negros é o maior desde 2012.

Outros dados que se correlacionam com a disparidade salarial com o recorte de raça dizem respeito à condição social de pobreza e subemprego a que muitos negros estão expostos, reflexo de racismo estrutural presente no Brasil. Entre os 10% com menor rendimento per capita no país, 75,2% são pretos ou pardos. No grupo dos 10% mais ricos, eles são apenas 27,7% - embora constituam mais da metade da população (55,8%).

Mais um dado chama a atenção sobre as desigualdades entre negros e brancos: dos 10,6 milhões de brasileiros que solicitaram o auxílio emergencial e dependem unicamente dessa renda para viver, 7,2 milhões são negros, ou seja, 68% dos beneficiários.

Disparidade salarial entre graduados e não graduados

Quando o assunto é diferença salarial entre pessoas que cursaram ensino superior (graduação ou pós-graduação) e pessoas que foram até o ensino médio, os recortes de gênero e raça também são relevantes. De modo geral, no Brasil, o trabalhador com nível superior ganha em média 140% a mais em relação a quem não possui um diploma. Os dados foram levantados pelo relatório Education at a Glance da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Foram analisados 40 países e o Brasil consta como o que tem a maior diferença salarial entre graduados e não graduados. A média é de 40% a mais no salário de pessoas com ensino superior nos demais países estudados pelo relatório.

Quanto ao gênero, as mulheres estão mais presentes nas universidades. Na faixa-etária entre 25 e 34 anos, 25,1% das mulheres concluíram o nível superior, enquanto a porcentagem para os homens é de 18,3%. No entanto, nesse caso, isso não garante maiores salários para o gênero feminino, conforme exposto anteriormente.

Já em relação à questão racial, segundo levantamento realizado em 2016 pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), trabalhadores negros sem ensino superior ganhavam 92% do que recebiam brancos com o mesmo nível de formação. Quando há ensino superior, o salário de pessoas negras é referente a 65% ao salário de pessoas brancas.

Com informações da CNN e Folha de São Paulo.

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