Quem são os que recusam a tomar as vacinas de Covid no Brasil?

·4 minuto de leitura
  • Pesquisa mostra que maioria dos antivacinas brasileiros são homens

  • Maior parte dos que são contra o imunizante moram na região Sudeste

  • Especialistas em imunização garantem que a hesitação à vacina, embora nociva, não é muito recorrente no país

Uma pesquisa nacional realizada pela startup de análise de dados de ciência Ilumeo, estende a lupa sobre a população que não deseja receber as doses da vacina (atualmente, a imunização no Brasil já se estendeu aos adultos acima de 18 anos e adolescentes acima de 12). A análise mostra que 4% dos pesquisados não querem receber doses de imunizantes: 3% têm restrição somente em relação às vacinas contra o Coronavírus e os 1% restantes não tomam qualquer tipo de imunizante.

Dentro desse universo de pessoas que rejeitam as agulhadas, é possível traçar um perfil específico. A maioria é formada por homens (53%), com ensino médio completo e idades entre 25 a 34 anos (42%), seguido das pessoas de 18 a 24 anos (34%). A maior parte deles mora na região Sudeste (39%), seguido do Nordeste (24%).

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A análise ainda elencou as razões para que as pessoas não tomassem vacinas. Os motivos principais são a desconfiança geral em relação ao fármaco, o que envolve medo de efeitos colaterais — aspecto que diversos estudos globais já mostraram ser absolutamente inferior aos riscos causados pela própria Covid-19 —, e alegações de que esses imunizantes foram produzidos em tempo muito curto.

O estudo ouviu 3.059 respondentes em todo o Brasil, por meio de um questionário online. A data da coleta foi de 21 a 30 de julho deste ano. A análise ainda escancarou um problema, os chamados “sommeliers de vacina”, pessoas que estavam elegíveis à vacinação, mas não queriam receber qualquer vacina: buscavam imunizantes específicos para proteger-se contra a Covid-19. Os especialistas explicaram que essa é uma decisão equivocada, pois reduz as taxas de adesão, uma vez que os imunizantes mais pedidos podem ter baixa disponibilidade e, desse modo, impondo algum atraso ao combate à pandemia. A exceção é para os casos de reforço, sobretudo quando há falta do imunizante que foi usado na primeira dose. 

De acordo com o estudo, 7% dos que não foram imunizados não o fizeram porque “tinham em mente outras vacinas que não foram apresentadas”. Considerando o público geral participante da pesquisa — que não apresentou hesitação frente à vacinação — dois em cada dez, dizem que não tinham preferência por alguma vacina específica. O restante, porém, elencou o favoritismo da seguinte maneira: AstraZeneca, em primeiro lugar, seguida por Pfizer e Janssen empatadas, com CoronaVac em última posição. 

Baixa hesitação

Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

Especialistas em imunização garantem que a hesitação à vacina, embora nociva, não é muito recorrente no país. A prova disso é o amplo avanço da imunização contra Covid-19 nos últimos meses. Atualmente, por volta de 150 milhões de brasileiros já receberam alguma dose de imunizante contra a Covid-19, enquanto outros 100 milhões já completaram o esquema vacinal, de acordo com dados do consórcio dos veículos de imprensa.

Além de derrubar os indicadores epidemiológicos — nas últimas semanas, as internações, a taxa de transmissão, mortes e novos casos por Covid-19 estão próximos às menores médias de toda a pandemia — a ampla vacinação também permite uma avaliação de como a vacina funciona a nível individual. É o que mostram os levantamentos em hospitais.

Pesquisas realizadas por unidades de saúde do Rio de Janeiro e de São Paulo mostram, como era de se esperar, que as vacinas têm sido decisivas para o desfecho de quadros de saúde de pessoas infectadas pela Covid-19. No hospital Ronaldo Gazolla, no Rio, no começo do mês de setembro, não vacinados representavam 94% das internações, por exemplo. Em São Paulo, o Instituto de Infectologia Emílio Ribas fez um levantamento semelhante: 9 em cada 10 internados não haviam completado o esquema vacinal. 

Embora seja, sim, preocupante que existam brasileiros que recusem tomar a vacina, a taxa de hesitantes ainda é bem inferior à vista nos Estados Unidos, por exemplo. Por lá, um estudo recente do Instituto Marista de Opinião Pública, em Nova York, mostrou que 19% dos americanos não querem receber as doses de vacina contra Covid-19. Outros 2% ainda estão em dúvida. Trata-se de uma prática que coloca em risco não só quem desiste de tomar as agulhadas, mas também toda a população — que deixa de se beneficiar com a queda das taxas de transmissão, mortes e casos, além de manter alto o risco de novas variantes, que surgem com maior facilidade quando há mais pessoas suscetíveis ao vírus.

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