Quem sai na rua sem necessidade é assassino, diz Zema ao endurecer medidas

FERNANDA CANOFRE
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***FOTO DE ARQUIVO***BELO HORIZONTE, MG, BRASIL,  06-11-2019 - Entrevista com  governador de Minas Gerais, Romeu Zema.  (Alexandre Rezende/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO***BELO HORIZONTE, MG, BRASIL, 06-11-2019 - Entrevista com governador de Minas Gerais, Romeu Zema. (Alexandre Rezende/Folhapress)

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), confirmou a decisão de colocar todo o estado sob a onda roxa, a fase mais restritiva do plano que orienta medidas contra o coronavírus, a partir de quarta-feira (17), devido ao aumento de casos, mortes e à pressão crescente na demanda por leitos.

É a única fase em que a adesão às medidas é obrigatória a todos os municípios. Ela prevê ações como toque de recolher entre 20h e 5h e restrição à circulação de pessoas.

Hotéis só podem receber trabalhadores de serviços essenciais, pessoas que os utilizam como residência ou caso seja local para isolamento se houver suspeita ou confirmação de Covid-19. Barreiras sanitárias devem ser instaladas, com modelo ainda em discussão.

Zema lembrou que essa é a medida mais extrema adotada em um ano de pandemia do novo coronavírus em Minas e disse que a decisão foi tomada para evitar cenas que só são vistas em filmes de horror, com pessoas pedindo atendimento sem vagas suficientes.

"Num momento como esse, qualquer pessoa contaminada a mais pode ser um óbito a mais, porque o estado não tem mais capacidade de atendimento. Nós estamos vivendo um momento excepcional e ele exige medidas excepcionais", afirmou Zema a jornalistas nesta terça-feira.

"Se não adotarmos essas medidas, esse número só tende a aumentar. Então, é uma questão humanitária, todos precisamos ter consciência. Quem sai na rua desnecessariamente, quem faz aglomeração, na minha opinião, pode ser taxado de assassino".

A chamada onda roxa do Minas Consciente, que orienta a flexibilização das atividades na pandemia, foi criada no início de março, quando regiões do estado passaram a enfrentar cenário de colapso na rede de saúde. As medidas são válidas e revisadas a cada 15 dias, tempo comum para avaliar efeitos de infecção e internação, segundo o governo.

Até então, quatro macrorregiões do estado e quatro microrregiões estavam seguindo as determinações da fase, que tem medidas de lockdown. O anúncio de que todo o estado teria que segui-la foi anunciado na noite de segunda por Zema, depois de reunião com prefeitos.

O novo secretário estadual de saúde, Fábio Baccheretti, afirma que nem nas regiões sob a onda roxa a população tem respeitado as orientações para aumentar o grau de isolamento social -desde outubro, as taxas de isolamento em Minas tiveram queda, chegando a 30%.

"É difícil, todo mundo cansado, mas temos que entender que são 15 dias de grande sacrifício para que os hospitais consigam respirar e a gente consiga progredir dentro do Minas Consciente", afirmou ele.

Baccheretti assumiu o cargo na última segunda-feira (15), depois que seu antecessor foi demitido após denúncias de fura-fila da vacinação envolvendo servidores da pasta- o próprio secretário foi um dos imunizados. O caso está sendo investigado pelo Ministério Público de Minas Gerais e em uma CPI instaurada na Assembleia Legislativa. Nesta terça, Zema voltou a afirmar que não tinha conhecimento sobre a imunização de servidores.

O governador falou ainda sobre a ocupação de leitos no estado, um dos motivos que levou à adoção de medidas mais duras agora. A ocupação disparou em março, em Minas, em uma velocidade muito maior do que a capacidade de resposta da rede para ampliar as vagas. A maior dificuldade, segundo o governo, está em conseguir recursos humanos para garantir o atendimento.

"Estamos vivendo um momento de alta taxa de incidência e ocupação de leitos. É a primeira vez que as unidades de saúde de todas as regiões estão sobrecarregadas. Não temos mais capacidade de transferir pacientes de uma macrorregião para outra, e isso faz com que a gente adote medidas mais duras", explicou o secretário de Saúde.

Como a onda roxa é impositiva, mesmo municípios que não seguiam o Minas Consciente têm que adotar as medidas. Zema citou que casos em que haja resistência devem ser tratados pelas instituições de Justiça, como ocorreu em outros momentos da pandemia.

A prefeitura de Belo Horizonte, que desde o início da pandemia teve protocolo próprio, orientado por um comitê de especialistas, salientou que a fase não depende de adesão e que conta com a Polícia Militar para fiscalizar as novas medidas de restrição de circulação previstas na onda roxa.

A gestão de Alexandre Kalil (PSD) já vinha endurecendo as medidas na capital desde o dia 6 de março, quando o prefeito anunciou o fechamento de atividades e afirmou que a capital havia voltado à estaca zero.

No anúncio desta terça, Zema afirmou ainda que o governo está correndo atrás de cinco tipos de vacinas e garantiu que, se os laboratórios oferecerem lotes para estados e municípios, Minas irá adquirir doses próprias.

Ele também afirmou que pediu uma avaliação à Secretaria da Fazenda sobre setores que serão impactados com a paralisação das atividades e que ações podem ser adotadas para compensação.

Nesta terça, a ocupação de leitos de UTI Covid do SUS em Minas chegou a 81,6% -- somando todos os leitos de UTI públicas da rede estadual, não apenas aqueles voltados à pandemia, a ocupação total é de 83,9%. O estado teve 28 mortes confirmadas entre segunda e terça e 6.903 novos casos, segundo o boletim epidemiológico.