Quem são as mulheres que podem disputar a Presidência em 2022? Brasil pode ter uma negra no cargo?

Ana Paula Ramos
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Marina Silva (Enviromnent Minister of Brazil)
Marina Silva (Enviromnent Minister of Brazil)

Em janeiro, Kamala Harris assume a Vice-Presidência dos Estados Unidos. Ela não é só a primeira mulher, mas também a primeira pessoa negra a ocupar o cargo.

A quebra do paradigma nos Estados Unidos levantou a discussão sobre a presença do nome de mulheres e de negras na corrida presidencial no Brasil em 2022.

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Durante uma das campanhas, Marina Silva (Rede) declarou que seria “a primeira mulher negra eleita Presidente da República” no país. A eleição da ex-seringueira e ex-ministra do Meio Ambiente teria um simbolismo forte.

Mas ela disputou a Presidência em 2010, 2014 e em 2018 e foi derrotada nas três vezes. Na última eleição, amargou o oitavo lugar e recebeu 1% dos votos válidos.

Sobre 2022, Marina disse que ainda não decidiu, porém acredita que não é hora de falar em candidatura.

Nas conversas sobre possíveis nomes para concorrer a presidente na próxima eleição, outras mulheres começam a aparecer, mas são todas brancas.

Além disso, a candidatura feminina tem sido usada nas eleições presidenciais apenas para compor chapa, ou seja, é colocada no posto de vice. Foi o que aconteceu em 2018 com Manuela D`Ávila (PCdoB), vice de Fernando Haddad (PT); Kátia Abreu, vice de Ciro Gomes (PDT); e Ana Amélia (PP), vice de Geraldo Alckmin (PSDB).

No entanto, para ocupar o espaço de candidata à Presidência da República, ainda não há nomes com força suficiente nas rodas de aposta.

Confira possíveis candidatas em 2022:

CHAPA DE BOLSONARO

Segundo aliados, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já disse que não pretende disputar a reeleição em 2022 com o general Hamilton Mourão (PRTB) como candidato a vice-presidente. Hoje, os dois mal se falam.

A intenção do presidente é formar uma chapa com uma das ministras de seu próprio governo, como a ministra das Mulheres, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, ou a ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

Damares Alves é evangélica e é considerada uma das ministras mais populares da Esplanada dos Ministérios. Ela se desfiliou recentemente do Progressista e ainda não definiu se vai se filiar a um novo partido.

A outra possibilidade é a ministra da Agricultura, filiada ao DEM e considerada um nome estratégico por aliados do presidente, já que ela tem o apoio do setor do agronegócio. Tereza Cristina também já foi deputada federal e tem bom relacionamento no Congresso.

A dificuldade seria convencer o DEM a apoiar o presidente na próxima eleição. O partido já adiantou que busca um papel “relevante” em 2022 e que não vai apoiar “extremos”.

Alas do governo já tentam emplacar o nome dela na disputa para a presidência da Câmara com o objetivo de dar mais visibilidade a ela. Deputada licenciada, a ministra disse, nos bastidores, que não tem interesse em abrir mão do ministério agora.

Em 2018, a hoje deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) foi convidada para o posto de vice na chapa de Bolsonaro, mas recusou. Agora, ela virou desafeto da família Bolsonaro e já sinalizou que pretende concorrer ao Senado.

CENTRO E DIREITA

O MDB se manteve como o maior partido em número de prefeituras e deve buscar mais espaço nas negociações com outros partidos. Nos campos do centro e da direita, é a única legenda que avalia uma mulher para a disputa, até o momento. O presidente do partido, deputado Baleia Rossi (SP), já citou o nome da senadora Simone Tebet (MS) como uma possível candidata.

ESQUERDA

Apesar da derrota na eleição para a Prefeitura de Porto Alegre, o nome de Manuela D`Ávila (PCdoB) continua forte para o pleito presidencial em 2022.

Outra derrotada nas eleições municipais, a candidata a chefe do governo municipal de Recife e deputada federal Marília Arraes (PT) também ficou em uma posição de destaque no campo da esquerda. Nos bastidores, aliados acreditam que o fato de ela ser do Nordeste pode ser um ponto favorável ao nome dela.