Quem tomou Coronavac está morrendo, diz Bolsonaro, mas realidade é outra

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***ARQUIVO***FORMOSA, GO, 16.08.2021 - Militares da Marinha realizam treinamento de situações de combate, no campo de treinamento das Forças Armadas na cidade de Formosa, Goiás, cidade vizinha à Brasília. O presidente Jair Bolsonaro, acompanhado dos ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, e da Casa Civil Ciro Nogueira, acompanhou o treinamento no local. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***FORMOSA, GO, 16.08.2021 - Militares da Marinha realizam treinamento de situações de combate, no campo de treinamento das Forças Armadas na cidade de Formosa, Goiás, cidade vizinha à Brasília. O presidente Jair Bolsonaro, acompanhado dos ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, e da Casa Civil Ciro Nogueira, acompanhou o treinamento no local. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

CUIABÁ, MT (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a criticar a vacinação do estado de São Paulo com o imunizante Coronavac. Em entrevista à Rádio Capital Notícia Cuiabá, afirmou, de forma equivocada e sem comprovação científica, que "quem tomou Coronavac está morrendo".

“Olha o que está acontecendo com a Coronavac, ninguém tem coragem de falar. Gente que tomou as duas doses, foi infectada e está morrendo. Por que ela está morrendo? Porque acreditou nas palavras do governador de São Paulo que disse que quem tomasse as duas doses da Coronavac e for infectado jamais morrerá e a pessoa fica em casa, achando que tomou as duas doses e não vai morrer, e acaba morrendo", disse o presidente nesta terça-feira (17).

A declaração do presidente, contudo, não tem base científica. A Coronavac não tem 100% de eficácia contra a Covid-19, assim como acontece com qualquer outra vacina ou tratamento de saúde.

Em geral, sua proteção é maior para impedir quadros graves, hospitalizações e mortes, mas a proteção pode ser consideravelmente menor para a transmissão ou infecção assintomática.

Assim, mesmo indivíduos vacinados podem contrair o vírus, adoecer e morrer, embora em frequência muito menor do que os não vacinados.

Indivíduos mais velhos correm risco maior, já que possuem um sistema imune naturalmente enfraquecido, devido à chamada imunoscenecência.

Outro ponto a ser considerado é a alta taxa de contágio do vírus em determinada região ou a circulação de variantes capazes de fugir ligeiramente do sistema imune, como a delta. Como o Brasil ainda tem uma parcela baixa da população totalmente imunizada e circulação alta do vírus, inevitavelmente mais pessoas se contaminam e morrem, mesmo entre as vacinadas.

O presidente também se defendeu de afirmações de que o governo decidiu tardiamente pela compra de vacinas para o enfrentamento à pandemia. Segundo ele, os imunizantes só foram comprados após estarem disponíveis e com aprovação da Anvisa.

“Quanto às vacinas, o nosso governo tomou todas as providências. Não existia vacina para comprar ano passado, bem como no início do ano não tinha vacina disponível para todo mundo. Tirando os quatro países que produzem vacina, o Brasil está mais à frente. Eu sempre fui contra comprar vacina sem a certificação da Anvisa", disse.

Na mesma entrevista o presidente também voltou a defender o chamado tratamento precoce. Por sua atuação em favor dele, está sendo acusado de charlatanismo e curandeirismo. Esses medicamentos também não têm recomendação da Anvisa para o uso para tratamento da Covid.

“Quando eu falo em tratamento precoce, a grande maioria tomou ivermectina e hidroxicloroquina. Tem outro produto, lógico que não tem comprovação cientifica, a proxalutamida. Busquei uma maneira de atender o povo, junto com médicos. Então, não é que eu sou um charlatão, curandeiro, nem inventei nada. Eu dei uma alternativa”, disse.

Ao contrário de outros medicamentos que Bolsonaro prescreve sem qualquer base científica para lidar com a doença, como a cloroquina e a ivermectina, a proxalutamida ainda não foi descartada como ineficaz nesta pandemia.

Seu uso não teve ainda nenhum estudo publicado em uma revista científica de prestígio. A prática estabeleceu que todo resultado de pesquisa apresentado por cientistas seja revisado por outros especialistas. A rechecagem dos dados feita por pares dá mais solidez ao trabalho.

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