Quer iniciar no mercado de ações? Saiba como investir e os principais cuidados que se deve tomar

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Por Daiane Brito

A primeira grande dica para quem investe na bolsa de valores é não perder dinheiro. A segunda é nunca se esquecer da primeira dica. “Parece besteira, mas este conceito é muito importante. O grande investidor da atualidade Warren Buffett afirmou que as pessoas só perdem dinheiro se investem naquilo que não tem conhecimento”, diz Roberto Indech, analista-chefe da Rico Corretora.

Para Thiago Tregier, gestor de investimentos da Concórdia Gestão de Recursos, conhecer o mercado de ações é fundamental para quem quer iniciar suas operações em renda variável. Isso se justifica pelas oscilações típicas deste negócio. “Os contínuos altos e baixos acontecem por conta das expectativas e surpresas que atingem o mercado. Acompanhar essa movimentação exige certa racionalidade e sangue frio dos investidores”, explica.

Por isso, para ingressar no segmento é preciso ter “estômago forte”. Não é à toa que os perfis dos investidores que apostam nesta linha são chamados de arrojado e agressivo. É preciso ser propenso a correr riscos.

Além de estar certo sobre seu perfil, o investidor precisa ficar atento se seu objetivo é de curto, médio ou longo prazo para não se desesperar e sair vendendo suas ações em um momento inadequado devido à falta de planejamento.

Conhecimento

Comprar uma ação significa se tornar sócio de uma empresa. Logo, as perguntas que o investidor deveria fazer são as mesmas que faria se fosse adquirir a companhia: como foi o lucro nos últimos anos? Quais executivos estão no comando? Quais os planos de investimento? Como estão os principais concorrentes? Assim por diante.

Conhecer a empresa na qual está aportando seu capital é essencial, assim como seu setor. Interado da área de atuação da companhia será possível traçar futuros cenários que possam vir a valorizar ou desvalorizar suas ações, seja no curto ou longo prazo. Indicadores econômicos também podem ajudar nessa questão.

Para ficar por dentro de como funciona as operações, o Instituto Educacional BM&FBovespa oferece gratuitamente o curso Como Investir em Ações e há diversos livros sobre o setor e seus bastidores, entre eles, Reminiscências de um Especulador Financeiro, de Edwin Lefèvre, e Warren Buffett – Lições do Maior de Todos os Investidores, de Janet Lowe.

Buscar entender como funciona o mercado é importante mesmo contando com o auxílio do consultor financeiro ou do analista da corretora. Afinal de contas, é muito dinheiro circulando. Em fevereiro, a Bovespa movimentou R$ 165,23 bilhões, ante R$ 144,33 bilhões em janeiro. A média diária foi de R$ 9,17 bilhões e foram realizados 18,6 milhões de negócios.

Cuidados

Eduardo Moreira, sócio-diretor da corretora Geração Futuro, alerta para os perigos de apostar em dicas com informações duvidosas ou “generosas” demais. “Quase sempre as sugestões surgem de pessoas que estão com medo das ações que tem e precisam arranjar compradores para se livrar delas. Pense em alguém que sabe de uma informação certa que fará a ação dobrar de valor. Você acha que ele sairá espalhando por aí?”.

Comportamentos perigosos

A prática do “preço médio” é uma das manobras que pede cautela. Um grande exemplo é o que aconteceu com a OGXP3, de Eike Batista. Quando os papéis começaram a desvalorizar, alguns investidores decidiram apostar comprando mais na esperança de que as ações voltariam ao auge. Só que a empresa nunca mais se recuperou e muitos perderam grande parte de seu capital por isso.

Outro comportamento perigoso é “virar a mão”. Quando o investidor ao invés de estabelecer um limite de perda resolve inverter sua posição e vende até o dobro de seus papéis apostando na desvalorização do preço das ações.

Investir em uma única empresa também não é um bom negócio. Ainda que a expectativa de alta seja significante. A diversificação permite que os riscos sejam diluídos.

Como investir?

As transações são feitas por meio das corretoras habilitas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e para começar a investir é preciso fazer o cadastro em uma delas.

Será aberta uma conta do investidor na BM&FBovespa e não há valores mínimos para começar, eles variam de acordo com a corretora e o preço das ações que serão compradas. Assim como os custos associados às operações também dependem da instituição escolhida.