Quer pagar como? Cartão ou Celular?

Samsung Pay/Divulgação

Não faz tanto tempo que os cartões de crédito praticamente substituíram o dinheiro vivo. Aliás, sair de casa com uma carteira cheia de cédulas já parece coisa do passado. Provavelmente você conheça alguém que prefira cartões de crédito à dor de cabeça e preocupação de carregar notas físicas. Aliás, é muito possível que você seja uma dessas pessoas. Uma evolução pode estar se repetindo. Agora muita gente usa o celular para fazer pagamentos. Será que eles vão substituir os cartões magnéticos?

Uma das maiores revoluções do sistema financeiro nasceu na década de 1950, nos Estados Unidos, quando um executivo e seus convidados não tinham como pagar um jantar de negócios ao se darem conta de que haviam esquecido dinheiro e talões de cheque. O dono do restaurante aceitou que o executivo pagasse no dia seguinte, contanto que assinasse a conta com o valor das despesas. Pronto, estava criado o conceito do cartão de crédito.

Depois disso, o sistema de pagamento se popularizou até se tornar o mais utilizado no mundo. Agora empresas de tecnologia desenvolvem tecnologias capazes de criar as mesmas condições da operação, só que sem um cartão físico.

Ao contrário do e-commerce já convencional e do que muitos podem pensar, a tecnologia não se baseia na internet. Até o momento são duas maneiras diferentes de transmissão de dados. (NFC) Near Field Communication ou Transmissão de Dados por Proximidade e e (MST) Magnetic Secure Transmission ou Transação Magnética Segura, que emula os dados de cartões de crédito, débito e sistemas de transporte público, entre outras alternativas.

De acordo com André Varga, diretor de produtos da divisão de dispositivos móveis da Samsung Brasil, o NFC que já existia nos telefones celulares e é uma forma de transmissão de dados já difundida e segura. “O ponto chave do Samsung Pay é que nem todos os equipamentos de pagamento são compatíveis com o NFC. Tendo isso em vista, a Samsung buscou outra alternativa para superar essa inconveniência. O MST, que utiliza o receptor da tarja magnética na máquina do estabelecimento”, explica o executivo.

A vantagem do sistema que chegou no Brasil em julho do ano passado, é que ele utiliza os dados dos cartões magnéticos sem a necessidade do cartão físico. “O celular vai fazer uma comunicação de dados dizendo que o usuário quer fazer uma autenticação. A partir daí o banco gera um token, como naquelas sequências de números chave que algumas instituições utilizam. Só que nesse caso, as chaves vão mudando. Cada nova operação gera um novo número”, esclarece André Varga.

Para o executivo, independentemente da marca, a transmissão de dados é a opção de pagamento mais segura no mercado. “Imagine se esse telefone for roubado ou perdido. Nesse caso você não perdeu o cartão, apenas o token. Mesmo que na pior das hipóteses, ele não tenha uma proteção de tela, sem a impressão digital nenhuma outra pessoa conseguirá utilizar o serviço. Só funciona com a digital do dono cadastrada no aparelho. Logo, essa assinatura é mais segura que o cartão”, define.

Nos Estados Unidos e na Europa o sistema já é consolidado. Na Coréia do Sul, o sistema de transporte público já se comunica com a tecnologia da Samsung, que por enquanto, é a única fabricante a disponibilizar o pagamento via NFC e MST de fábrica em seus aparelhos.

De acordo com André Varga, da Samsung Brasil, cerca de 94% dos estabelecimentos que aceitam cartões de crédito no Brasil já possuem dispositivos capazes de se comunicar com o sistema. “Cerca de 80% das operações do Brasil estão utilizando MST. Funciona como uma carteira móvel. Uma alternativa ao dinheiro, ao cheque e ao cartão magnético. Permite a transação física em lojas, cafés, restaurantes. Utilizando apenas o celular”, explica o executivo.

A empresa coreana abriu as portas do mercado ao fazer parcerias com os principais bancos e instituições financeiras do mercado nacional. “Essa foi uma nova possibilidade de negócios para a empresa. Até o momento não existia esse tipo de parceria. Então tivemos de trabalhar relacionamentos junto a bancos como o Banco do Brasil, Santander, Porto Seguro e da Brasil Pré-Pagos. Além das bandeiras de cartão de crédito VISA e Mastercard e adquirentes, como a CIELO. Fizemos inúmeros testes tanto com NFC quanto com MST. Apesar da dificuldade, entendemos que seria um grande passo para o mercado”, reflete André Varga.

Desde o ano passado aplicações parecidas são aguardadas com ansiedade no Brasil por entusiastas da tecnologia. Em alguns países do mundo já possível utilizar o Android Pay e o Apple Pay que também baseiam seu funcionamento na tecnologia MST.

“Se colocarmos em perspectiva, historicamente tivemos a moeda, o papel moeda, o talão de cheque e continuaram aparecendo alternativas, como o cartão de plástico. Esse é um paralelo da relação das pessoas com o dinheiro. Seja em lojas, agências bancárias e depois o internet banking, que com os smartphones virou o mobile banking. O celular entrou no lugar na internet, acrescentando mobilidade. É um caminho irreversível. Claro que muitas pessoas ainda vão preferir conversar com o gerente na agência bancária e o uso do cheque ainda vai acontecer em algumas situações, mas a evolução natural é que cada vez menos ver o dinheiro físico mudando de mão para mão”, finaliza o executivo da Samsung.

Por Vitor Valencio.