Quer um podrão? Conheça as histórias por trás de lanches que roubam a cena nas ruas

Pedro Zuazopedro.zuazo@extra.inf.br
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De sanduíches gigantes a pipocas com sabores inusitados: em meio à apimentada disputa por clientes nas ruas, os lanches criativos roubam a cena, seja pelo tamanho, seja por uma combinação inovadora de ingredientes. O diferencial pode ser uma receita de sucesso para a sobrevivência em meio a uma concorrência que só aumenta.

De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), meio milhão de brasileiros vendem algum tipo de alimentos nas ruas. O número de ambulantes chegou a 2,1 milhões em 2018, uma alta de 12,1% em relação ao ano anterior. A maior alta foi na região Sudeste, onde subiu 23,9%.

— Eu estava passando por uma situação financeira difícil e tinha que bolar algo diferente. Empreendedorismo é assim, tem que botar a cara e fazer dar certo — conta Ruan de Freitas, de 31anos, que desde o mês passado faz sucessdo, na Tijuca, com um pão de alho recheado com coração.

Conheça as histórias de podrões que dão água na boca.

‘Sonhei com um hambúrguer gigante’

Foi num sonho que Francisco Fonseca, de 27 anos, teve a ideia de fazer um hambúrguer gigante. Após ficar dois meses desempregado, ele decidiu montar a barraca Bebezão Lanches com o irmão, na entrada de Rio das Pedras. O negócio ia bem, mas atingiu outro patamar há cerca de dois anos, graças à ideia que surgiu enquanto ele dormia.

— Sonhei que estava comendo um hambúrguer gigante e sugeri ao meu irmão de fazermos um — conta Francisco.

Em um vídeo, eles mostravam como montar o hambúrguer, batizado de Tenebroso, com 2kg de peso, e publicaram nas redes sociais. As imagens já tiveram mais de quatro milhões de visualizações.

— Chegamos a vender 80 Tenebrosos em uma noite — diz Francisco, que agora vai abrir uma loja na Muzema.

O Tenebroso custa R$ 30. Tem também o cachorro-quente gigante, que sai a R$ 18.

Pipoca de camarão em Magé

Há 20 anos à frente da carrocinha Pipoca do Mar, no Centro de Magé, Marcelo dos Santos, de 35, decidiu inovar ao ouvir questionamentos sobre o nome do seu negócio.

— Eu coloquei esse nome, Pipoca do Mar, por causa do meu nome, mas as pessoas ficavam brincando comigo, dizendo que pipoca não tinha nada a ver com o mar. Então decidi fazer um teste com frutos do mar. Assim criei a pipoca de camarão — conta.

A novidade fez tanto sucesso que Marcelo continuou a inventar. Hoje, ele vende 12 sabores de pipoca, entre eles: amendoim, contrafilé, frango, bacon, carne-seca, leite Ninho com Nutella, goiabada, ovo-maltine e chocolate.

Os valores variam de R$ 2 a R$ 15, e a carrocinha funciona de meio-dia à meia-noite. Mas Marcelo não está satisfeito. Ele quer aumentar a estrutura para conseguir vender 14 sabores de pipoca.

Volta por cima com pão de alho

Ruan de Freitas, de 31 anos, começou a trabalhar aos 13, ajudando o pai em uma loja de materiais de construção. Formou-se em contabilidade e trabalhou em escritório, mas largou tudo para empreender. Começou vendendo sacolés de espumante na praia e no carnaval. Depois, abriu a própria champanheria. Após uma desavença com o sócio, perdeu tudo e, por dois meses, dirigiu Uber. Foi aí que teve uma ideia para dar a volta por cima.

— Em uma noite de insônia, tive a ideia de abrir outro negócio. Não uma hamburgueria artesanal, pois já existem muitas. Criei um pão de alho recheado com coração e coberto de queijo derretido — conta.

Inaugurado há um mês, na Tijuca, o Pão de Alho do Gordo tem provocado fila na calçada. Além do coração, também tem pão de alho recheado com linguiça, picanha, frango e outros tipos de carne. Os valores variam de R$ 15,90 a R$ 30,90.