“Queremos chegar até 2030 com 10 mil lideranças negras”, afirma diretora do Mover

O Mover (Movimento pela Equidade Racial) foi criado há um ano e meio com o propósito de aumentar a participação de profissionais negros no mercado de trabalho. Entre os principais objetivos do instituto está chegar a 10 mil lideranças negras em empresas brasileiras até 2030. “A gente conversou com muitos stakeholders do movimento negro para fundamentarmos nossos pilares e objetivos”, explica Marina Peixoto, diretora executiva do Mover.

A iniciativa é muito bem-vinda. Entre as 500 maiores empresas do Brasil menos de 5% dos cargos de liderança são preenchidos por pessoas negras. Os dados são de pesquisa realizada pelo Instituto Ethos. Já um estudo feito pelo Indeed em parceria com o Instituto Guetto aponta que 84% dos profissionais negros não têm plano de carreira nas companhias em que trabalham.

Para mudar essa realidade, o Mover quer capacitar e impactar essas pessoas. “É necessário trazer para a base, tem que investir em desenvolvimento, em carreira, tem que trazer políticas de equidade”, afirma Marina. O instituto também pretende ajudar na criação de 3 milhões de oportunidades de trabalho para profissionais negros nos próximos oito anos. “Queremos criar oportunidades de formação e conexão com as vagas”.

Mas não basta apenas ofertar vagas de trabalho. Estudo divulgado pela InfoJobs mostra que 75% dos profissionais negros dizem que preconceito racial é um impeditivo para a entrada no mercado de trabalho. A pesquisa Racismo no Brasil, realizada pelo Carrefour em parceria com o Instituto Locomotiva, afirma que 52% dos profissionais negros já sofreram alguma forma de discriminação no ambiente de trabalho.

Lideranças negras são raras nas empresas do Brasil, diz executiva da Mover
Lideranças negras são raras nas empresas do Brasil, diz executiva da Mover

Para Marina Peixoto, também é necessário conscientizar as pessoas e preparar o ecossistema para receber esses novos funcionários. “Não adianta apenas selecionar ou investir em desenvolvimento de talentos se o ambiente não for inclusivo, se as pessoas não entenderem o seu papel. É preciso conscientizar quem está recrutando em como receber os talentos negros para as suas áreas”, enfatiza.

E é muita gente para conscientizar. Se levarmos em conta apenas o quadro de funcionários das 47 empresas que compõem o Mover, já são mais de R$ 1.3 milhão de colaboradores. “É difícil chegar em todos. Por isso, estamos testando diferentes formas de trazer conteúdo de conscientização tanto fomentando o debate para fora, para a sociedade, quanto para dentro com os colaboradores”, completa a executiva.

Happy Hour de Marina Peixoto, da Mover, tem comida caseira e vinho

Desde que deixou a Coca-Cola para criar o Mover (Movimento pela Equidade Racial) há pouco mais de um ano, Marina Peixoto não teve muito tempo livre. Mas quando consegue se desligar um pouco do trabalho, a diretora executiva do Mover gosta de apreciar um bom vinho. “Já fiz curso de degustação na Associação Brasileira de Sommeliers”, destaca.

Para acompanhar o vinho, Marina conta que adora a culinária portuguesa, especialmente o bacalhau. “Adoro comida caseira, uma farofinha com couve, mandioquinha frita. Mas em datas especiais eu vou pra cozinha e faço um bacalhau muito bom”, revela.