'Queremos extirpar a mineração, o desflorestamento e desmatamento ilegais', diz Guedes

Fernanda Trisotto, Manoel Ventura e Melissa Duarte
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BRASÍLIA — O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o país trabalha para combater a mineração e o desmatamento ilegais na Amazônia e que a agenda de desenvolvimento sustentável da região, que exige esforço amplo, é uma prioridade para o Brasil. As declarações foram feitas em um vídeo exibido na 61ª Assembleia de Governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), nesta quinta-feira.

— Queremos extirpar a mineração ilegal, o desflorestamento e desmatamento ilegais.

Guedes destacou que, para além da agenda de reformas estruturais e a busca por um ambiente de negócios mais favorável aos empreendedores, o ministério da Economia tem como prioridade estabelecer as bases para uma agenda de crescimento verde.

— A exploração insustentável da floresta é um sintoma de sistema econômico de baixa produtividade, à margem da lei e com perspectivas limitadas a curto prazo. O desenvolvimento sustentável da amazônia deve ser parte de um esforço mais amplo, de aumento de produtividade, melhoria de infraestrutura e do ambiente de negócios, de desburocratização, transformação e modernização do estado brasileiro.

O ministro citou como avanços nessa frente a inclusão, no Programa de Parceria de Investimento (PPI), de seis projetos para concessão florestal e de dois parques nacionais na região amazônica. Além disso, a regularização fundiária e destinação de terras da União na região, dentro da perspectiva de segurança jurídica e garantia de direitos de propriedade, contribui para trazer produtores rurais para a legalidade.

— O aproveitamento sustentável dos recursos florestais, seja para a produção de madeira seja para o turismo, geram renda e emprego para as comunidades locais, e trazem novos aliados para o combate ao desmatamento ilegal.

Discurso propositivo

Paulo Guedes participou do painel que tratava do papel dos ministros de Fazendo, Planejamento ou Economia no desenvolvimento de uma agenda sustentável. Sua fala, previamente gravada, dialoga com o recado transmitido pelo presidente Jair Bolsonaro no mesmo evento, que também defendeu o compromisso do governo com o fim do desmatamento ilegal.

Mas essas falas contrastam com declarações anteriores do ministro sobre a situação da Amazônia e tentativas de interferências de outros países na política ambiental brasileira. O risco de desmatamento foi apontado como causa da resistência de alguns países para o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. O país também foi pressionado por fundos internacionais, que enviaram carta aberta a embaixadas brasileiras manifestando preocupação com a condução das políticas ambientais.

Em mais de uma ocasião, Guedes ironizou essas críticas recebidas de estrangeiros a respeito da política ambiental do Brasil. Durante um evento do Credit Suisse, em setembro do ano passado, o ministro relembrou um episódio em que acusou americanos de desmatarem florestas e matarem índios.

Em relação a críticas de países como França e Holanda, Guedes classificou as falas como “oportunismo protecionista”. O presidente da França, Emmanuel Macron, é um grande crítico da condução das ações ambientais do governo. Na avaliação de Guedes, essas críticas refletem o medo que os franceses sentem do agronegócio brasileiro. Ao argumentar que o país “queima” as florestas, eles impedem a entrada de produtos agrícolas brasileiros por lá.