'Queremos pacificar o país', afirma cardeal que intermediou encontro entre Bolsonaro e Alckmin

O arcebispo de Brasília, Dom Paulo Cezar Costa, intermediou o encontro nesta quinta-feira entre o vice presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), e o presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado nas urnas no último domingo. Horas antes de o presidente receber o ex-governador de São Paulo, o líder religioso esteve com Bolsonaro e reforçou a necessidade de diálogo com a equipe de transição do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Dom Paulo fez um apelo pela pacificação do país, uma vez que o presidente não cumprimentou Lula desde o último domingo e ainda afirmou que os bloqueios nas estradas e os protestos em diversos estados são movidos por um sentimento de "injustiça". Segundo interlocutores, Bolsonaro sinalizou ao arcebispo que era prematuro receber Lula neste momento, mas deu aval para uma conversa com Alckmin. Na ocasião, o vice, que é o coordenador de transição, participava de uma reunião com o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira. Alckmin é católico fervoroso e tem relação de proximidade com líderes da igreja.

— O que quero é ajudar na reconciliação do país. Fui até o presidente hoje (ontem) e ele (Bolsonaro) aparentava um certo abatimento, mas estava lúcido e tivemos uma conversa muito respeitosa. O presidente falou que o Alckmin viria e que estava disposto a recebê-lo. Mas ele que fez o gesto, não sei que grau de influência eu tive — afirmou Dom Paulo ao GLOBO.

O arcebispo disse que atuou pela conciliação entre Bolsonaro e Lula após tomar conhecimento de uma entrevista na qual Edinho Silva (PT), que é prefeito de Araraquara e coordenou a comunicação da campanha vitoriosa de Lula, pregava união dos divergentes e cogitava a possibilidade de uma foto dos dois líderes juntos. Em seguida, o religioso ligou para Edinho, já que ambos tinham boa relação quando Dom Paulo era bispo de São Carlos, no interior de São Paulo. Dom Paulo então se dispôs a ajudar na interlocução com o presidente.

— Não posso negar que estou tentando dar uma contribuição discreta junto com o Edinho. O importante é promover uma transição democrática para o bem do povo — disse o cardeal.