Queremos! Plataforma faz 12 anos com 457 shows realizados

O ano era 2010. Não sabendo que era impossível, Felipe Continentino, Pedro Seiler e outros três amigos, a maioria estudante da PUC, foram lá e fizeram o primeiro show por financiamento coletivo do mundo. Era da banda sueca Miike Snow, que lotou o Circo Voador. Nascia o Queremos!, que desbravaria o árido terreno carioca, até então infértil para performances indie. Em 12 anos, a plataforma de eventos extrapolou as fronteiras do Rio e promoveu 457 apresentações no país, de nomes como Wilco, Chemical Brothers e Franz Ferdinand, que atraíram no total um público de 500 mil pessoas.

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E segue a todo vapor: abriu as vendas e anunciou Marisa Monte como headliner do Queremos! Festival 2023, que será realizado em 27 de maio na Marina da Glória (o evento tem ainda confirmados a baiana Rachel Reis, o rapper Rico Dalasam e a banda americana de jazz fusion Snarky Puppy). Em 24 de janeiro, leva ao palco do Vivo Rio a diva do soul americana Erykah Badu e, no último sábado, apresentou o duo norueguês Kings of Convenience na mesma casa.

— Trouxemos o Kings of Convenience há 11 anos, a partir de pedidos dos fãs pelo nosso site. Marisa também era muito pedida. A mudança daquele primeiro show no Circo Voador para um festival com 12 mil pessoas na plateia é muito visível para quem acompanha. Mas, como começamos como fãs, continuamos com essa relação de engajamento com eles. Temos um lugar de escuta muito grande. Todo mundo se sente um pouquinho dono da marca, o que é muito legal — afirma Seiler, que mora em Copacabana e promete para 2023 uma repaginada no site (queremos.com.br), a fim de calibrar essa interação.

Continentino observa que o cenário de hoje é muito diferente do da época em que eles começaram. O morador do Jardim Botânico, acredita que o Queremos foi “muito pioneiro ao perceber do que o público sentia falta”:

— Não foi à toa que em 2011, ano seguinte ao nosso nascimento, voltou o Rock in Rio e depois veio o Lollapalooza Brasil (em 2012). Uma série de outros empreendimentos retornaram ou passaram a acontecer um pouco por conta da construção de uma cena. Para nós sempre foi muito importante ter um calendário de shows. Tanto para formação de plateia quanto para o Rio virar rota de shows internacionais novamente.

A novidade da vez é o Queremos! LAB, projeto de experimentação sonora da plataforma. A iniciativa vem promovendo encontros inéditos entre nomes da cena musical contemporânea brasileira às quintas-feiras, no LabSonica, do Oi Futuro, no Flamengo. Cada um deles vai render dois clipes e um minidocumentário.

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Já se encontraram no palco o duo fluminense Yoùn e o soteropolitano Celo Dut; Jonathan Ferr, do Rio, e o cearense Mateus Fazeno Rock; e a carioca Ilessi e o paraibano Pedro Índio Negro. Quinta-feira, às 18h30m, o projeto chega ao fim com Ana Frango Elétrico, também do Rio, e Juliana Linhares, de Natal. Os ingressos, gratuitos, já estão esgotados.

— Faço a curadoria do programa “Experimente” (do canal Bis) há 13 anos, trabalhei na gravadora Biscoito Fino por muito tempo, lidava muito com novos artistas. Foi muito natural para nós estar ativos neste cenário. Tentamos botar artistas novos brasileiros para abrir a maioria dos shows do Queremos! — diz Seiler.

Continentino acrescenta que os dois sempre gostaram de descobrir artistas novos e ir a shows pequenos.

— Há 12 anos, os artistas brasileiros independentes eram todos muito pequenos. Hoje, felizmente, isso mudou e essa cena ficou grande — observa ele.

Juliana, que acaba de participar do Somamos Festival, do Teatro Prudential, está com a agenda cheia: apresenta-se hoje em Paraty e nos próximos dias 25, em João Pessoa; 26, em Natal; e 27, em Recife. Ela diz que a participação no Queremos! LAB terá um sabor especial:

—Em me lembro da minha banda Pietá se inscrevendo na plataforma que conectava artistas muito pedidos pelos fãs e produtores de shows locais. Estar perto do Queremos! de alguma forma é um orgulho e uma felicidade muito grande, passa um filme na minha cabeça.

O repertório, ela conta, traz músicas autorais suas e de Ana e versões:

—Queria trabalhar com ela há muito tempo. Ana é muito criativa, tem uma cabeça muito fresca para a música. É artista plástica e poeta; eu sou atriz e diretora, venho do teatro, vai ser uma troca imensa.