'Queremos saber como os consumidores podem ser protegidos desse impacto bilionário', afirma secretário sobre Americanas

O secretário Nacional do Consumidor, Wadih Damous, afirmou, nesta quinta-feira, que espera que as perguntas encaminhadas à Americanas sejam respondidas dentro do prazo estabelecido pelo órgão na última terça-feira. Ele explicou que o objetivo é saber se a empresa adotará mecanismos para evitar prejuízos aos consumidores.

— O rombo de R$ 20 bilhões causou prejuízos aos investidores e aos acionistas. Nós estamos preocupados com os consumidores e, por isso, estamos nos antecipando a eventuais manifestações — disse Damous.

Vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) estabeleceu um prazo de cinco dias para que a Americanas preste os esclarecimentos solicitados, a partir da data de recebimento da notificação. A expectativa é que a empresa encaminhe as respostas no início da semana que vem. Caso contrário, poderão ser fixadas multas cujos valores serão decididos pela Senacon.

— Queremos saber, em um curto prazo, quais são os efeitos que esse rombo de 20 bilhões de reais vão acarretar para os consumidores a curto, médio e longo prazos, e que mecanismos estão sendo criados para dirimir esse conflito. Queremos saber como os consumidores poderão ser protegidos desse rombo bilionário encontrado na contabilidade da Americanas — ressaltou o secretário.

Na terça-feira passada, a Senacon notificou a Americanas para prestar esclarecimentos sobre a “crise de inconsistências em lançamentos contábeis da empresa na dimensão de R$ 20 bilhões”. As questões levantadas são os impactos sobre os consumidores e que políticas e canais de solução para a resolução de conflitos serão adotados.

A crise começou quando a Americanas publicou um fato relevante, há cerca de dez dias, informando sobre a identificação de “inconsistências em lançamentos contábeis” em seu balanço. O valor destacado foi de R$ 20 bilhões.

Segundo antecipou o colunista Lauro Jardim, nesta quinta-feira, a Americanas entrou com pedido de recuperação judicial, em caráter de urgência, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A empresa informou que o valor total de sua dívida é de cerca de R$ 43 bilhões com 16.300 credores.