'Quero esquecer' diz um ex-guarda de campo de concentração nazista ao tribunal

Bruno Dey, ex-guarda da SS de 93 anos no campo de concentração de Stutthof, esconde o rosto antes de sua audiência em Hamburgo, norte da Alemanha

Um ex-guarda de 93 anos de um campo de concentração nazista declarou nesta quarta-feira (20) que "quer esquecer" os fatos pelos quais está sendo julgado há vários meses na Alemanha, mas sem manifestar nenhum remorso.

"Quero esquecer, não quero continuar recordando o passado", afirmou Bruno Dey, de 93 anos, no tribunal de Hamburgo (norte), citado pela agência de notícias alemã DPA.

O presidente do júri havia lhe perguntado se alguma vez conversou com seus filhos ou netos sobre seu passado como guarda do campo de Stutthof.

O acusado está sendo processado por cumplicidade no assassinato de mais de 5.000 detidos neste campo localizado a cerca de 40 km da cidade de Gdansk, atual Polônia.

"Não me sinto nem um pouco culpado pelo o que aconteceu naquela época", afirmou. "Não fiz outra coisa que não fosse ser guarda (...) Mas, era obrigado a fazê-lo, era uma ordem", argumentou.

Em sua defesa, seus advogados afirmam que não se candidatou voluntariamente às SS antes de ser transferido ao campo, entre agosto de 1944 e abril de 1945, e que foi enviado para lá porque sua saúde não lhe permitia ser mobilizado para a linha de frente.

Quando chegou em Stutthof tinha 17 anos.

Por outro lado, a acusação o considera uma engrenagem essencial na máquina de extermínio colocada em andamento pelos nazistas nos campos de extermínio, como parte da "solução final" em relação aos judeus.

Cerca de 65.000 pessoas morreram em Stutthof, em sua maioria mulheres judias dos países Bálticos e Polônia. Dey havia se integrado ao sistema de extermínio em junho de 1944, data que não coincide com as defendidas por seus advogados.