Questões ligadas aos Direitos Humanos debatidas em Luanda

No Dia Internacional dos Direitos Humanos, os países da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico debruçam-se sobre esta e outras matérias, em Luanda, e esperam reafirmar compromissos em relação à Carta das Nações Unidas, ou à própria Declaração Universal que os consagra.

Os Direitos Humanos expressam-se de várias formas e perdem-se de outras tantas. A crise migratória que volta a sentir-se na Europa, o tráfico de seres humanos, é o reflexo das más condições de vida das populações, da desinformação também. Mas, no essencial, são pessoas que partem à procura de uma vida melhor.

Uma jovem estudante angolana, Maria Oliveira, em entrevista à euronews, referia que se vive, no seu país, de forma _"_muito precária, há muito tempo". Salvaguardava os esforços feitos pelo governo, mas considerava que "não são significativos". Os pobres são "cada vez mais pobres", frisava, lembrando as crianças que vê na rua, "numa situação terrível".

"As pessoas pensam que saindo daqui, submetendo-se a uma imigração muitas vezes desumana, por uma vida melhor, isso é o mais adequado. Mas o que devia ser feito era o nosso governo melhorar a situação de vida para que nós africanos não tenhamos de sair do nosso país de origem (...)."

Joselino Sousa é outro estudante entrevistado pela euronews nas ruas de Luanda. Para ele pensasse que África tem pouco a oferecer e que na Europa há mais oportunidades. Contava, que em "África há pessoas na miséria", pessoas que não têm nada e que têm "a perceção de que a Europa é um caminho que as pode fazer sobressair na vida", para lá chegar procuram "meios perigosos", porque nem todos têm a "possibilidade" de viajar pelos meios tradicionais e, às vezes, arriscam as vidas para poderem atravessar rios, o mar, fazem coisas muito complicadas.

"O continente africano atualmente, e infelizmente, não está suficientemente desenvolvido e as pessoas pensam que na Europa podem conseguir melhores condições de vida".

Para Joselino Sousa os líderes africanos têm responsabilidades a assumir, porque devem criar "condições", nos seus países, se fizessem isso, "muita gente" não teria "necessidade de partir para fora do continente", acredita este jovem angolano. O que é preciso, acrescentava Joselino, é "apostar mais na educação, as pessoas têm de ter condições para viver, nem que seja o mínimo, e aqui isso não existe", desabafava.

"O Estado, dos diversos países, tem de apostar na educação, alimentação, segurança, esses fatores podem diminuir o aumento da migração de África para os outros continentes".

A OEACP espera que até 2030, muitos desafios, ligados aos Direitos Humanos, estejam no caminho para seres resolvidos, entre eles a pobreza.